”Tudo e Todas as Coisas” cumpre seu papel, mas faltou um pouquinho mais.

O romance teen Tudo e Todas as Coisas é a adaptação do livro homônimo de Nicola Yoon e nele acompanhamos a história de Madeline, uma garota com uma rara doença que afeta seu sistema imunológico e a impede de viver em sociedade. Sob o risco de qualquer impureza do mundo ser fatal, a garota vive enclausurada em sua casa e exceto o contato com sua mãe e sua enfermeira, ela não conhece mais ninguém pessoalmente. Eis que em um belo dia na janela, seu olhos se cruzam com os de Olly (Nick Robinson), o garoto que acabou de mudar para a casa ao lado e que tem tudo para revirar completamente todos os seus conceitos sobre a vida.

Com essa premissa (que eu amo) aguinha com açúcar e com a fórmula certa para agradar todo mundo que curte romances sobre doenças, Tudo e Todas as Coisas é um típico filme daquelas sessões da tarde que a Globo faz aos sábados de vez em quando. Com um clima leve, uma historinha fofa e jovens atores empenhados nos seus papéis, essa inusitada mistura de O Quarto de Jack com A Culpa é das Estrelas é bastante eficiente na missão que lhe foi dada… e é uma pena que, pelo menos para mim, nada daquilo foi lá muito envolvente.

Eu gosto muito de filmes do tipo, mas houve alguma coisa nesse que não me fisgou da maneira adequada. Isso em partes ocorreu pela falta de carisma de Nick Robinson, que não me convenceu em nada neste papel, deixando Amandla Stenberg (Jogos Vorazes) carregar o filme nas costas e mostrando que aquela menininha cresceu e se tornou uma atriz linda e cativante.

Apesar dos dois funcionarem juntos, parece que a história não se desenvolve e roda, roda, roda, para durante muito tempo chegar ao mesmo lugar; isso sem falar em uma reviravolta que soou completamente esquisita devido ao desenvolvimento superficial que a diretora Stella Meghie deu ao desenvolver a situação. O filme perde muitos pontos ao apelar para o melodrama e no final de tudo eu fiquei sem saber realmente sobre o que ele se tratava.

Talvez no livro tudo seja bem diferente, mas para mim Tudo e Todas as Coisas soou  como uma colcha de retalhos de fórmulas que deram certo em ‘’infanto juvenis’’ nos últimos anos e já estão ficando menos simpáticas para quem quer algo que emocione por completo. Ele tem personagens jovens, um amor com dificuldades, trilha sonora moderninha, frases de efeito e um clima de ‘’o amor é mais forte’’ que certamente emocionará os mais sensíveis, mas acredito que os mais exigentes sentirão falta da potência que um verdadeiro dramalhão pode ter. É como se a história nunca abraçasse de fato o seu potencial e ficasse em uma zona de conforto, com pouquíssima ousadia e que decepcione caso o que você esteja procurando seja uma grande emoção. É legal, cumpre seu papel, mas com certeza faltou um pouquinho mais.

Tudo e Todas as Coisas é tudo o que você espera de um filme do tipo, mas em uma dose mais Zé Gotinha. Eficiente em sua proposta de ser fofinho, mas sem muito destaque no meio de tantos outros, essa é uma opção para todo mundo que curte filmes do tipo e não liguem da história não ser lá muito aprofundada e não te fazer sentir vontade de chorar berrando, apesar de né… ele vender essa ideia. Não espere as lágrimas altas das sessões de A Culpa é das Estrelas, ou muito menos a melancolia de Se Eu Ficar, mas talvez um sorrisinho a lá Uma Noite de Amor e Música surja no seu rosto e tá certo, isso também tem seu valor dependendo do momento 😉

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.