“Orange Is the New Black” voltou sem muita história para contar.

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Desde que parou de focar apenas em Piper Chapman (Taylor Schilling) como sua protagonista e deu mais espaço para cada uma de suas personagens, “Orange Is the New Black” abriu suas portas para uma maior discussão entre seus temas, contraste entre suas personalidades e principalmente para mais abordagens de seu humor ácido, que consegue ser refinado dentro de seu formato grosseiro e sujo. Em suas duas primeiras temporadas, a separação entre brancas, latinas, negras e velhas se fazia mais presente, no entanto agora a série da Netflix encontrou seu formato para um mercado diversificado que se forma e para o mercado que desejam moldar para o futuro.

Para recapitular os acontecimentos da temporada passada e entrar com a mente preparada, este quinto ano da série foca na revolta originada entre as detentas de Litchfield após o assassinato de Poussey Washington e em como a injustiça trabalha em nossa sociedade, podendo ser subvertida por pontos de vista diferentes. Por um lado são treze episódios “sem” história ou fechamento, e por outro lado são treze episódios com muita história e efeitos reais em seu fim destruidor, que pode ser sentido pelos fãs dos últimos quatro anos.

Aqui nesse novo começo, “Orange Is the New Black” traz com seus roteiros uma sátira formada de seu tempo que é infelizmente realista ao ponto de constranger o espectador. Não que antes a série não tivesse suas críticas sociais escrachadas para o público em forma de punchlines ou estereótipos mentais entre suas detentas e seus guardas e chefes. No entanto, a quinta temporada tem uma decadência quando se trata de mexer a trama a sair de um ponto A para um ponto B ou C. Começamos de um jeito e terminamos com mudanças obvias e sem o impacto devido. Isso quando rotulamos esta temporada como “sem” história.

Agora, quando analisamos pelo lado de “muita” história, Litchfield nunca esteve mais movimentada e cheia de possibilidades para divertimento. Com celulares, internet, sem regras ou um líder para quem responder, as mulheres tem seu espaço para viver, quase, como se não estivessem presas. Mas ainda assim, quando as possibilidades vão se esgotando, a série apresenta saídas fáceis ao invés de desenrolar seus problemas preestabelecidos para ir em direção a algo novo.

Dessa forma, a série original Netlfix que se sustenta através de representação e bons papéis para tipos de atrizes diferentes precisa levantar mais a barra para o sexto ano. Antes, em sua quarta temporada, a ansiedade para a continuação da história era muita para segurar a agora… agora cabe a nós esperarmos pelo melhor destino dessas que, nesse ano, passaram por muito e, como quem assiste, não teve a melhor recompensa.

Vinícius Soares
Colaborador | Também do autor.

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto

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