“Lady Bird – A Hora de Voar” usa comédia para servir a realidade.

 

Em uma triunfante estreia solo em direção e roteiro, Greta Gerwig faz de Lady Bird: É Hora de Voar um conto parcialmente autobiográfico sobre o amadurecimento feminino e as relações entre mães e filhas. Balanceando atuações poderosas e realistas, tentando encontrar a comédia nas frustrações e tragédias diárias e escolhendo uma série de momentos importantes e cheios de aprendizado para mostrar em tela.

Gerwig, Ronan e Metcalf são os três grandes nomes que ecoam pelos estreitos corredores dos sentimentos pós Lady Bird que, ao lado de talentos em frente e por trás das telas, entregam um produto final sem plasticidade cinematográfica.

Ao acompanhar a história de Christine “Lady Bird” McPherson, o espectador é convidado para dentro de um universo que faz das grandes telas e luzes um veículo para o cinema indie que ao ganhar espaço mostra, aqui, a hilaridade do crescer e como a independência de um indivíduo vêm às custas do desapegar de outro. A complexidade em que se encontra um relacionamento unido por sangue é representada através das, bruscamente rápidas, mudanças de humor dentro de um diálogo que tem raízes na realidade e que mesmo em seu aspecto polido carrega sua mensagem sem sentimentos falsificados.

A maneira como a edição do filme colabora para construir esta história ajuda a criar a sensação de subir uma escada. Essa escalada intensa, porém lenta, em que cada degrau é uma nova camada de personalidade e uma nova primeira vez. Onde existe muita ou nenhuma consideração. Tudo para que cada momento seja vivido perfeitamente, mas sempre o estragando com alguma ação insignificante. É uma fina parede de vidro colocada em frente à perfeição que desmorona ao se chegar muito perto. Parede essa que Saoirse Ronan toca, abraça e soca.

A atriz que carrega os sentimentos e pensamentos de Lady Bird traz em seu sotaque americano os trejeitos de qualquer adolescente, ainda que este tente ser diferente e especial no meio de todos. E em seu fim esclarecedor e que traz o ciclo da juventude próximo a um fim, o longa transforma cotidiano em arte sem qualquer tipo de presunção, com um todo que prende a atenção não só pela qualidade, mas também pelo amor evidente em todo o seu processo – em tela e fora dela.

 

 

Vinícius Soares

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto