A Chegada (Crítica)

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Eu não sei como começar a contar para vocês sobre A Chegada. Tendo como base apenas o trailer, estava esperando uma ficção científica comum, dessas que a gente assiste, se diverte e só… mas não, quando subiram os créditos finais eu estava paralisado na poltrona do cinema, meus olhos arregalados e a única coisa que passava na minha cabeça era: CARAMBA. De verdade, nem de longe estava preparado para a imersão psicológica que esse filme me proporcionou e é muito difícil não usar da empolgação para desenrolar tudo o que achei dele. Se no momento posso definir em um meme da internet, seria aquele da Roberta Miranda falando ‘olho pro teclado e não sei o que dizer, apenas sentir.’

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Na história o mundo é surpreendido pela chegada de 12 objetos voadores que se espalham ao redor de diversos países. Para entender melhor o que está acontecendo, o governo americano convoca Louise Banks, uma linguista que tem como missão descobrir quem são esses intrusos, o motivo de estarem ali e mais do que qualquer coisa, saber se eles são uma ameaça para toda a raça humana.

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Esqueçam tudo o que vocês sabem sobre filmes de invasão alienígena, o diretor Dennis Villeneuve (Os Suspeitos) conta uma história que vai muito além disso. A Chegada foge de todo esse conceito de caos e destruição e parte para um lado mais racional da coisa toda, mas nem por isso ele deixa de ter elementos que nos deixam curioso e como não podia deixar de ser, tenso. Mesmo indo nessa contra mão, ele consegue ser extremamente movimentado e cheio de informações que podem não parecer, mas são cruciais para a compreensão de cada momento da trama. As cenas que a equipe interage com aliens, tentando decifrar seu dialeto, são incríveis e com certeza responsáveis pelos melhores momentos da história.

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O roteiro e a direção do filme são tão bons, que a gente até esquece da correria desenfreada que são comuns nos filmes do tipo. A fotografia, a trilha sonora, tudo é muito bem executado para nos colocar dentro do mistério da trama, que é mantido do começo ao fim e acaba caindo como uma verdadeira chuva de flechadas sobre o nosso corpo, com um final que com certeza é o ganache de chocolate brilhante cobrindo o bolo e responsável pela sensação de cérebro explodindo que me causou quando a tela ficou toda preta. Muitas coisas passavam pela minha mente e acho maravilhoso quando um filme consegue me fazer montar um quebra cabeça e um jogo da memória ao mesmo tempo.

A maneira como o diretor brinca com a gente é o que dá o tchan na trama, eu não conseguia desgrudar os olhos da tela, estava hipnotizado com a qualidade da história e o quão envolvente ela é. A narrativa vai misturando as resoluções dos enigmas com flashbacks e parece que cada cena foi meticulosamente pensada para aumentar a nossa curiosidade; meus amigos, creio que neste ponto A Chegada é uma verdadeira obra de arte, que só tem a marcar o nome Dennis Villeneuve como um diretor a se prestar muita atenção em um futuro não tão distante.

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Claro que tem um outro nome ali no meio que, assim com Dennis, é um dos maiores tesouros do filme: Amy Adams. É impressionante como essa mulher consegue fazer qualquer coisa, de princesa encantada da Disney à professora universitária que dialoga com ETs, aqui ela consegue passar todas as inseguranças e medos de Louise, nos guiando através da história e criando uma personagem extremamente humana, ajudando e muito no impacto que o final tem sobre toda a trama. É realmente admirável o trabalho dela neste filme, ainda mais se levarmos em consideração toda a carga dramática do roteiro, Amy matou a pau e apaga quase que completamente as presenças de Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia) e Jeremy Renner (Os Vingadores).

Mas além de tudo isso, A Chegada é obrigatório para todo mundo que gosta de filmes que te fazem pensar e que também conseguem captar a realidade do ser humano, mesmo no meio de tanta coisa que só existe na nossa imaginação. No final fica uma mensagem que, apesar de soar clichê, é extremamente importante para o mundo em que vivemos e além de mexer com a nossa cabeça, mexe também com o nosso coração. Afinal, o que você faria se recebesse as mesmas informações que Louise? Fica a reflexão.

"Arrival" (2016)

A Chegada é um filme diferente de tudo o que vimos nos últimos tempos, com um drama convincente e um suspense que nos envolve, tendo o grande trunfo de ser facilmente destacado no meio de tantos outros. Não só pela sua qualidade técnica, mas também olhando o cinema como arte e nos fazendo lembrar que um blockbuster também pode nos fazer refletir e divertir ao mesmo tempo. Não tenho medo nenhum de dizer que esse foi um dos melhores filmes que já assisti e que não vai sair da minha cabeça tão cedo. Quando me pego pensando nele, a única coisa que eu queria era esquecer tudo o que vi, apenas para reviver todas essa sensações mais uma vez.

5 estrelas

 

 

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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