A Cura (Crítica)

Dirigido por Gore Verbinski (O Chamado), na trama acompanhamos Lockhart (Dane DeHaan), um executivo que trabalha em uma empresa que está à beira do caos devido ao sumiço de um dos seus poderosos. Em meio ao colapso, a galera da firma descobre que o cara está em uma espécie de sanatório procurando a cura para um problema que ninguém sabia que ele tinha. O que acontece? Lockhart, contra sua vontade, recebe a missão de ir até esse local e então convencer o chefe a sair de lá para resolver o problema com seus sócios, pena que ao chegar lá ele descobre coisas que não vão só tirar a sua paz, mas também a sua sanidade.

Bom, como vocês podem ver, A Cura tem uma história que lembra muito outros filmes do gênero. Mesmo sendo uma repetição de tudo o que já vimos em outras produções, não dá para negar que ele começa com um clima super gostoso e demonstra bastante potencial, já que a história adiciona elementos muito interessantes sobre lendas locais e uma água milagrosa. Pena que todo esse conceito foi desmanchado por um desenvolvimento extremamente entediante e a trama como um todo demonstrou ser uma bela de uma encheção de linguiça.

Digo isso, pois ao longo dos seus exagerados 146 minutos de duração pouca coisa interessante acontece de verdade, tudo o que vemos é um bocó andando para lá e para cá no local, se metendo em uma série de enrascadas que não levam para lugar algum. Fiquei impressionado como o roteiro é previsível e como as situações são ridículas ao ponto de sabermos como tudo vai acontecer, o que é claro, não diz respeito ao protagonista, que além de não ter empatia alguma com o espectador, insiste toda hora nos mesmos erros, uma característica que me gerou uma espécie de aversão e uma torcida gigantesca para ele se ferrar. A única coisa que queria, era que tudo chegasse logo no final para saber se a coisa ia melhorar, afinal, a esperança é a última que morre, não é verdade?

Mesmo com a curiosidade para ver onde aquela confusão ia dar, que na verdade era um disfarce para tudo acabar o mais rápido possível, o tédio que o desenvolvimento de A Cura me proporcionou foi algo que eu não esperava. Não há história suficiente para 146 minutos e apesar da direção de arte e fotografia ser um show a parte, parece que o tempo não passa, é um lenga lenga danado e quando finalmente vamos ‘’descobrir’’ o que está rolando, somos brindados com algo totalmente confuso que só demonstra o quão cheio de furos era o roteiro… e obviamente, que sua longa duração serviu para absolutamente nada, já que as situações desnecessárias e falta de reviravoltas empolgantes diminuem demais o clima de tensão do começo, dando lugar para o cansaço e algo que acho um crime quando falamos de suspense: a falta de interesse.

Isso sem falar que toda hora que a gente pensa que a coisa vai decolar, ela volta para o ponto anterior, ou seja, é uma enrolação pura e desnecessária resultado de um roteiro que se perde na própria história e serve como um belo exemplo de murro em ponta de faca.  TODA HORA acontecem as mesmas coisas e o protagonista demora quase duas horas para descobrir algo que sacamos logo de cara e gente, pelo amor de Deus, é muito difícil segurar a vontade de dar umas cochiladas em alguns momentos. É lamentável perceber que seu potencial tenha sido desperdiçado com uma trama que sai do nada e chega a lugar nenhum e toda a sua longa duração foi utilizada de uma forma que não explora e nem aprofunda nenhuma das situações que foram levantadas.

A Cura poderia ter uma hora a menos de projeção e tenho certeza que isso faria a diferença. Quando eu achei que ele estava acabando ainda faltava MUITO para chegar ao fim e minha nossa senhora de Aparecida, não foi fácil de aguentar. Mas o pior de tudo foi notar que eu não me diverti, eu não fiquei tenso, eu não me empolguei e acima de qualquer coisa: eu não me interessei por nada que a história tentou oferecer, mesmo que sua proposta fosse perfeita para isso. Criatividade visual o diretor e equipe tiveram, pena que não foi o suficiente para salvar um roteiro que se leva muito a sério, mas que não entrega nada do que poderia ter sido, deixando uma sensação de tempo perdido e um nó na cabeça causado pelo excesso de perguntas cujo as respostas geram um efeito borboleta de dúvidas e indignação. Uma pena 🙁

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.