“Além da Morte” nos intriga com perguntas, mas as respostas não chegam.

Browse By

O que acontece depois de nossa morte é a pergunta sem resposta que já gerou inúmeros filmes em todos gêneros, comédias, romances e, nesse caso, terror. Além da Morte (Flatliners) é uma refilmagem do clássico cult, Linha Mortal (1990) que contava com Kevin Bacon, Julia Roberts e Kiefer Sutherland.

Nessa nova versão, Courtney (Ellen Page) é uma médica que se culpa pela morte de sua irmã mais nova que morreu em um acidente de trânsito 8 anos antes. Essa culpa e a dúvida sobre a “pós vida” fazem com que ela decida se tornar cobaia em um experimento de parar seus batimentos cardíacos para ser ressuscitada quatro minutos depois. Para isso ela conta com a ajuda de seus colegas de estudo que decidem, também, “viver” essa experiência. A adrenalina e empolgação do feito logo acabam quando vultos e sombras começam a aparecer para os personagens.

A premissa é interessante o suficiente para nos levar ao cinema mas, infelizmente, não o bastante para te fazer embarcar no filme. Mesmo com atores razoavelmente entregues aos seus personagens, todos são amontoados de clichês o que os tornam previsíveis e tediosos, como por exemplo a da menina pobre com uma mãe controladora que a obriga a estudar sem parar, recebendo broncas por notas B+ até que decide se rebelar.

Aliás, é difícil de engolir que justamente todos os amigos que participam dessa experiência possuem algum trauma passado que os levará ao seus destinos causados por tal, me perguntei: ”por que só um evento dentre tantos erros na vida?” Isso seria irrelevante se ao menos as sequências de suspense e os sustos fossem bem realizados, mas, além de poucos são sempre previsíveis e tradicionais, causados mais pela parte técnica do que pelo investimento emocional naquele universo.

Mas o que falta mesmo no filme é uma justificativa do que pode significar os acontecimentos do pós morte que eles experimentam ou o porquê dos ataques sobrenaturais. Somos instigados por perguntas, mas as respostas não chegam (qual a diferença em ficar morto, 1, 2 , 3 ou 4 minutos? Por que um personagem vive o passado e outro o presente?). Em resumo, é um filme  esquecível que não chega a ser um terror B mas, definitivamente, não é um novo clássico.

Marcel Melfi
Colaborador | Também do autor.

Designer pra ganhar dinheiro e artista pra ser feliz. Apaixonado por filmes, quadrinhos e filmes de quadrinhos. Autor da Trilogia Odisseia Naftalina.

>