Aliados (Crítica)

Aliados conta a história de dois espiões, Max Vatan (Brad Pitt) e Marianne Beausejour (Marion Cotillard), que se encontram em uma missão para eliminar um embaixador nazista em Casablanca, no Marrocos. A trama acompanha o romance desses dois agentes secretos, o jogo de sedução se inicia desde o momento em que se encontram pela primeira vez e a história prossegue com paixão, casamento, filha, etc.. até que o marido começa a ter motivos para desconfiar da esposa, e o clichê evolui, mais batido que milkshake no verão.

A coisa não seria tão ruim se não fosse pela aparente apatia de Pitt e a forçação de barra de Marion, o romance clichê poderia até ser bonitinho, caso não aparentasse um tanto forçado, pois de alguma forma os dois não pareciam confortáveis em seus papéis. Também não seria tão ruim se várias cenas não tivessem um plano de fundo surreal e se o roteiro não fosse lotado de furos estranhos, onde os personagens não pareciam se preocupar muito com a guerra ao seu redor, onde em meio a bombardeios eles apresentavam uma calma de nível monge tibetano, demorando a perceber o real perigo das situações; algumas vezes demonstravam até certo conforto (sim, foi estranho) e pasmem, nem mesmo cercada por tantos efeitos especiais, guerra e drama, Marion Cotillard me convenceu, assim como o quase inexpressivo Brad Pitt.

Outro grande problema de Aliados é o fato da trama se estender anos depois e tomar outros rumos previsíveis. O personagem de Pitt inicia uma corrida maluca e inconsequente contra o tempo, afim de conseguir informações que provassem a inocência de sua mulher., é nessa corrida, com tropeços e alguns contratempos, que o personagem começa a ter mais impacto, um pouco mais de força e expressividade na história, mas infelizmente, isso ainda assim não conseguiu resgatar o filme. Foi nesse meio tempo que notei que estava em plena sexta-feira, quase meio dia, sentada numa poltrona do cinema e já tinha mais de uma hora de projeção. A trama leva muito tempo para se desenvolver e era nítido o desconforto de várias pessoas ali, afinal, aquilo tudo parecia não ter mais fim.

Um dos pontos positivos da trama,  que inclusive está no trailer, foi aquela cena do deserto que eles estão no carro, em meio à uma tempestade de areia e a câmera faz aquele 360° espetacular, que e pra mim foi uma das partes em que realmente fiquei surpresa com todos os efeitos e edição, e não… não foi porque era uma cena caliente, a sonoplastia estava tão boa que realmente fez parecer haver uma tempestade de areia ao nosso redor.

Finalizando, o filme tem seus pontos positivos, boas locações, figurino muito bem escolhido, exalta aquele glamour que existia naquela época, tem uma boa trilha sonora e ótima edição, porém, deixou a desejar por seus furos no roteiro, pouca empatia da história e as interpretações pouco inspiradas dos atores, então não vá ao cinema esperando muito, por que o muito que teve aqui mesmo, foi o tempo desnecessário que levaram para contar toda essa história.

Liliane Stoianov

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.

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