‘’Alien: Covenant’’ abusa dos clichês e não empolga.

Imortalizado como um dos clássicos do cinema, Alien: O Oitavo Passageiro foi um marco para o cinema de ficção, com uma protagonista icônica e cenas marcantes, a história ganhou uma legião de fãs, e claro… algumas sequências, um derivado que mostrava o confronto com outro monstro famoso, Predador, e também uma ‘’prequência’’ que dividiu opiniões, Prometheus. Continuando a partir do ‘’drop the mic’’ deste último, Alien: Covenant chega aos cinemas para mostrar um pouco mais da origem do temido bicho cabeçudo e assim lucrar um pouquinho mais, afinal, o público no geral simpatiza bastante com o bichinho e mais um capítulo não seria lá uma má ideia. Divertindo bem, que mal tem, não é verdade?

A história de Alien: Covenant não tem muitas novidades. Dessa vez, a equipe da nave espacial Covenant é acordada antes do tempo em sua missão; depois de uma tragédia, eles recebem um sinal vindo de um planeta não muito longe e decidem investigar, claro que foi um erro, já que o terreno é o lar doce lar de uma criatura que está louca para babar ácido na cara deles.

Partindo dessa premissa não muito diferente dos outros filmes da franquia Alien, e do primão Prometheus, posso dizer que Alien: Covenant desceu pela minha garganta com o sabor amargo da decepção. Sabe quando parece que nada ali te empolga? Sabe quando nada ali te surpreende? Foi bem isso que senti, já que sua trama e seu desenvolvimento são nada menos que uma cópia e cola de roteiros, não só dos outros capítulos, mas de vários outros filmes que já vimos por aí. As reviravoltas são tão banais que o verdadeiro choque vem quando percebemos que o diretor Ridley Scott achou que tudo aquilo seria uma boa ideia.

A melhor cena do filme.

Mesmo com cenas de morte extremamente violentas, um visual bacana e um começo promissor, Covenant perde muito tempo com explicações desnecessárias e uma sub trama de irmão vs. irmão que não fazia sentido nenhum estar ali, quer dizer, ao menos não de uma forma tão absurdamente clichê e tosca. Gente, é incrível quando a qualidade do filme decai depois de uma virada na trama, todo o clima de tensão construído é despedaçado, e o que sobra é um amontoado de situações repetitivas que cometem algo que para mim seja o maior erro de um filme do tipo: não envolve o espectador em emoção alguma.

Como se Alien: Covenant já não fosse fraquíssimo por si só, acrescente aí uma protagonista sem tempero algum. A personagem de Katherine Waterston (Animais Fantásticos) tem o carisma de um tijolo com desenho de emoji e entrega um personagem que em nenhum momento mostra a que veio. Não há um minuto sequer que ela convença como uma heroína, e isso, para uma franquia que tem Sigourney Weaver no DNA, é algo que não poderia em hipótese alguma falhar; e aqui falhou desastrosamente, já que a subcomandante Daniels não demonstra em momento algum a força que a personagem poderia ter. Culpa da cara de choro da atriz? Culpa do roteiro pouco inspirado? Não importa, a soma dos dois foi catastrófica! A fofa realmente não foi uma boa escolha para o papel e isso comprometeu muito o resultado final. O elenco de apoio é a mesma coisa, não serve para absolutamente nada além de ser fecundado por um ET, restando a Michael Fassbender tirar leite de pedra (ou ovo) dessa verdadeira patifaria.

Linda, igual a Barbiezinha.

Alien: Covenant é daqueles filmes que você assiste e poucos minutos depois nem lembra mais, daqueles que você sai da sala pensando em tudo que ele prometeu ser e mais ainda do que poderia ter sido. Não tem a alma dos anteriores, não tem a ação que a franquia remete e mais do que qualquer coisa, não tem a inspiração que o diretor já provou ter. Vale pelos 30 minutos iniciais, mas depois disso tem uma hora e meia de puro desinteresse e uma ilusão constante de que tudo ainda pode melhorar. O que claro, não chega nem perto de atingir nossas expectativas 🙁

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.