American Horror Story (6ª Temporada)

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American Horror Story é, como qualquer outra, uma série de altos e baixos. Por ser uma antologia e conter a cada temporada uma história diferente, aqui fica muito mais nítido que algumas são melhores que outras e acabam dividindo bastante a opinião da galera.

Porém, um senso comum para (quase) todo mundo é que a cada nova história a qualidade da série vem caindo. Não nos quesitos estéticos, que são impecáveis e melhoram a cada ano, mas sim falando de roteiro. Todas começam bem e ao longo dos episódios fica a sensação que os roteiristas cansaram ou simplesmente não sabiam como dar continuidade nos absurdos que fizeram questão de jogar na trama. Isso foi algo evidente em todas as temporadas e ficou mais escancarado ainda neste sexto ano, intitulado Roanoke.

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Cercada de mistérios e tendo seu tema revelado apenas no dia da estreia, essa nova trama começou com um banho de ousadia e criatividade, afinal, ela teve uma montagem 100% diferente do que vimos nos últimos cinco anos.

Aqui acompanhamos um falso documentário, My Roanoke Nightmare, onde as vítimas de um caso sobrenatural eram dramatizadas por atores, sendo assim, acompanhamos seus depoimentos e a encenação dos fatos no maior estilo Hora da Verdade com Marcia Goldsmith. Legal, né? Sim, ainda mais por se tratar de uma história bem violenta, que misturou bruxaria, fantasmas, lendas e sangue, muito sangue. Pena que no meio da temporada houve uma tremenda reviravolta que pegou toda essa deliciosa loucura e jogou no lixo.

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Tudo ia muitíssimo bem até a maldita reviravolta, que não vou falar qual é, mas simplesmente mudou completamente a história e transformou toda a criatividade em algo extremamente bobo. Personagens nada carismáticos, situações toscas com motivações piores ainda, violência gratuita e acima de tudo: uma falta de nexo que me incomodou muito. Ok, AHS nunca teve sentido, mas gente, Roanoke se superou.

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Diferente da primeira, a segunda metade da trama foi tão mal executada que apesar de toda hora acontecer algo, era como se não acontecesse nada. Todos os episódios foram basicamente iguais, com uma correria banal, diálogos sofríveis e uma constância tenebrosa de acontecimentos que tomavam boa parte dos 40 minutos de episódio PARA ABSOLUTAMENTE NADA, reparem isso no episódio 9, ali fica claro o quanto as coisas foram feitas apenas para encher linguiça e disfarçar o quão perdidos os roteiristas ficaram – mais uma vez – no seu desenvolvimento. Roanoke girou em torno de mortes e apenas isso, nada além. Isso sem falar no final, que mais uma vez jogou fora uma oportunidade para consertar suas cagadas.

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Claro que teve seus pontos bons, como sempre temos um show visual e ótimas atuações do elenco, Kathy Bates e Sarah Paulson arrasaram mas uma vez. O terror foi bem constante na primeira parte e o banho de sangue ao longo da temporada acaba sendo bem divertido de acompanhar, mesmo com todos os defeitos. Essa foi a temporada mais sangrenta e para os fãs de gore é de fato um prato cheio, só realmente acho que eles perderam a mão e apelaram muito para isso nos episódios, dando uma sensação de vazio gigantesca se deixarmos o quesito entretenimento de lado. Afinal, para uma série que começou tão inovadora dentro de sua própria mitologia, é lamentável ver que seus rumos não fizeram jus.

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American Horror Story: Roanoke foi uma temporada que teve bastante promessa e potencial; mesmo tendo um começo legal, com o tempo demonstrou ser apenas uma história rasa e lotada de violência para disfarçar um roteiro inexistente. É uma pena ver que a criatividade dos seus idealizadores se esvazia tão rápido, pecando muito no desenvolvimento e apelando para situações repetitivas e inverossímeis, que por mais que choquem em alguns momentos, não passam apenas de velhos truques para manter o espectador em uma ilusão de que tudo ali faz algum sentido… ou até mesmo terminará em algo concreto 🙁

2 estrelas

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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