“Amityville – O Despertar” assusta por ser tão sem criatividade.

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Servindo como um reboot da franquia Amityville, que além das sequências originais, também inspirou um monte de produções ‘’não oficiais’’ baseada em seu famoso caso real, a produção de O Despertar foi bem caótica. Passando por vários adiamentos no lançamento, o filme de certa forma estava fadado ao fracasso, já que né, histórias de casa mal assombrada não tem o mesmo impacto nos dias de hoje, ainda mais se tratando de uma série que já está desgastada há algum tempo. Mas tudo bem, ele foi lançado e vamo que vamo, afinal, um terrorzinho é sempre bom, não é mesmo?

”Será que eu estou na lagoinha?”

A trama é bem simples e só de ler a sinopse você já deve imaginar tudo o que está por vir. Aqui acompanhamos uma família problemática que se muda para uma bela casa, se não fosse o estado vegetativo de um dos filhos, tudo seria lindo e maravilhoso. Só que tem um problema, terríveis assassinatos aconteceram no local anos antes e a entidade que ali habita está demonstrando muito interesse em possuir o corpo do guri. Básico, né?

Se você já assistiu aos outros filmes que, originais ou não, tenham a mansão de Amityville como pano de fundo, você já assistiu esse aqui. Esse é o problema de Amityville – O Despertar, ele foi feito com a intenção de apresentar um novo público para a franquia, porém eles fazem isso de uma maneira muito babaca, sem acrescentar nada de novo e de um jeito muito mal executado. A direção de Frank Khalfoun (P2 – Sem Saída) é extremamente preguiçosa e falha muito na construção de um clima de terror, de caos e de urgência, sabe quando nada daquilo parece ser realmente um perigo e você não liga se aquela família vai ou não se ferrar? Então… é tudo montado de uma forma tão previsível, que você não fica curioso em como toda essa patifaria vai desenrolar, afinal, é óbvio que tudo vai acabar igual novela das 8.

“CORRE QUE A ROUPA TÁ NO VARAL!”

Isso sem falar nas atuações, Bella Thorne até tenta convencer em seu papel, mas não dá, seu carisma de tijolo não permite que a gente crie qualquer empatia com ela. A maravilhosa  da Jennifer Jason Leigh é outra que perdeu o juízo, essa mãe dondoca até que combina com ela, mas seus diálogos e expressões chegam a ser cômicos. Sobra para Cameron Monaghan (Gotham) e a fofinha da Mckenna Grace carregarem o filme, pena que ele passa 90% do filme deitado em uma maca e ela é apenas o pivô dos inúmeros sustos gratuitos que eles insistem em tentar fazer acontecer. Ele até ganha uns pontinhos na homenagem a obra original, mas só isso não é suficiente, nós queremos intensidade.

Amityville – O Despertar é um filme tão fraco que não há muito o que falar sobre tudo o que vemos. Com uma estética bem amadora, cortes mal feitos, sustos previsíveis e personagens sem lá muito carisma, esse é aquele típico filme de terror que não mete medo e não diverte, desses que a gente assiste de madrugada quando tá passando na TV e estamos com preguiça (ou cansados) de procurar de algo melhor. Sem criatividade, sem personalidade e mais do que tudo, sem ousadia, um crime muito grande quando falamos de um gênero extremamente saturado, mas com um potencial enorme para deixar a imaginação fluir e entregar, na pior das hipóteses, uma história que dê um pouquinho de emoção. Algo que, obviamente, ficou bem longe de acontecer. O despertar é de Amityville, mas a paciência é nossa!

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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