Animais Fantásticos e Onde Habitam (Crítica)

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Foi quando o logo da Warner Bros apareceu na tela, seguido do título do filme e com os acordes daquela música tema que passei parte da minha vida escutando, que a minha ficha caiu. Só ali eu consegui perceber que estava prestes a reviver emoções que há muito tempo não sentia e ainda de quebra descobrir coisas novas, afinal, vamos combinar, o cinema consegue fazer isso com a gente e as histórias tem essa função, principalmente se ela é fruto da imaginação de uma das mentes mais criativas da atualidade: J.K ROWLING.

Não é novidade para ninguém que ela conseguiu criar um universo totalmente novo e que Harry Potter era só a pontinha do iceberg. Havia muito mais a ser contado e explorado, afinal de contas, mesmo depois do final da saga do bruxinho com cicatriz de raio, a fofa continuou mostrando que ainda não sabíamos tudo.  Agora nós temos a oportunidade de saber mais dessas histórias nas telas do cinema com Animais Fantásticos e Onde Habitam, que serve não só como um prelúdio do que já conhecemos, mas também como uma expansão visual de tudo o que era maravilhoso na nossa imaginação.

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Aqui nós conhecemos Newt Scamander, um bruxo que roda o mundo estudando e colecionando criaturas mágicas, que por sinal, são guardadas em sua maleta encantada. Ao chegar em NY para resolver algumas coisinhas, o nossos herói acaba libertando sem querer alguns desses bichos, que se não forem capturados a tempo, podem colocar em risco todo o mundo mágico. Como tudo pode piorar se o destino quiser, em paralelo há um perigo muito maior apenas esperando para vir à tona e mudar os rumos deste universo para sempre.

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Com a autora se arriscando pela primeira vez como roteirista, pode se afirmar que Animais Fantásticos é um filme delicioso de assistir. Não só por ser um retorno ao universo de Harry e Voldemort, mas também por ter de sobra algo que me fascina demais, criatividade. Acho linda a maneira como J.K. pensa nos mínimos detalhes e monta uma trama no qual ao mesmo tempo que é super leve e divertida, carrega uma alta dose de tensão e mistério. A magia que emana de cada cena enche os nossos olhos e faz a nossa mente viajar em uma brisa muito gostosa, esse é com certeza o maior mérito do filme, ter o poder de nos transportar para algo que já conhecíamos, mas mostrando coisas novas que despertam uma nostalgia incrível e que achávamos ter ficado para trás. Ela não só reviveu isso, ela elevou!

O mais legal de Animais Fantásticos é ver a ampliação que a autora fez do mundo bruxo. É realmente uma nova trama, que mesmo com as similaridades ainda são nitidamente distintas. Aqui nós somos apresentados a um lado mais adulto dos bruxos, mais profissional, mas não menos encantador. As criaturas que Newt carrega em sua maleta (quero uma para guardar meus livros por sinal) são fodas e cada missão para capturá-las nos presenteia com bastante aventura e comédia, isso sem falar na trama paralela, que é carregada de mistério e nos dá uma prévia do que esperar no futuro. Olha… pelo visto a cobra vai fumar, hein?

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Porém, não posso deixar de citar que algumas coisas me desapontaram um pouco. Por exemplo, essa tal trama paralela soou confusa em alguns momentos, não sei se é algo a ser desenvolvido nos próximos filmes, talvez seja, mas ainda assim fiquei meio: ‘’PERA, COMO ASSIM’’. Isso sem falar na falta de carisma e empatia de alguns personagens, como Creedence, Porpetina e Graves, que são centrais na coisa toda e acredito que poderiam ter um pouquinho mais de tchan e desenvolvimento. Ah, também senti falta de mais batalhas com varinhas, apesar da magia ser constante, nesse ponto Animais Fantásticos deveu bastante e eles sequer pronunciam os nomes de cada feitiço na hora de tretar 🙁

Claro que esses probleminhas não diminuem a qualidade do filme. Há muita coisa legal ali no meio e já estou apaixonado por duas das criaturinhas que Newt carrega, Pickett e Pelúcio, que renderam momentos ótimos na coisa toda. Assim como Queenie e Jacob, que roubaram a cena e demonstraram um carisma enorme, com bastante potencial para crescer ainda mais. Legal ver também o regionalismo criado para cada parte do mundo bruxo; você sabia que nos EUA os ‘’trouxas’’ são chamado de ‘’não-majs’’? Pois é, o Newt também não e essa foi uma ideia bem legal que só enriqueceu ainda mais o encanto do filme. Eles deixam claro que Animais Fantásticos não é Harry Potter, mas quem disse que precisava ser, não é mesmo? Basta rezar para que tenha fôlego para os cinco filmes que foram prometidos.

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Animais Fantásticos e Onde Habitam não é um filme perfeito, mas nos ganha justamente por entregar algo que diverte e nos faz esquecer dos problemas lá fora. Cheio de aventura, comédia e tensão, foi uma grata surpresa que me fez voltar no tempo e me sentir novamente com 10 anos de idade. Os efeitos são maravilhosos, os atores estão bem nos seus papéis e apesar do que já falei, ainda assim é um filme muito bem feito, um entretenimento de qualidade, desses que não encontramos todas as semanas. Estou muito ansioso para saber onde toda essa loucura vai dar, é nítido que tudo foi só o começo… e meus amigos, como é bom sentir isso novamente.  Obrigado J.K Rowling, eu amo você <3

4 estrelas

 

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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