Animais Noturnos (Crítica)

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Dirigido pelo estilista Tom Ford, Animais Noturnos é a adaptação de um livro chamado ”Tony & Susan”. Na história, Susan (Amy Adams) é uma mulher riquíssima e casada com Hutton (Armie Hammer), porém sua vida não poderia ser a mais fingida possível, já que ela vive num mundo extremamente superficial e cheia de remorso com o seu passado. Eis que um belo dia ela recebe um livro escrito por Edward (Jake Gylenhaal), seu ex-marido, no qual está dedicado a ela. O que Susan não imagina, é que essa trama sádica e violenta tem não só o poder de mudar sua vida para sempre, mas também mexer com a sua consciência.

É complicado falar sobre Animais Noturnos, já que foi um filme onde tive várias sensações. Passei pela raiva, o tédio, a apreensão, a curiosidade e também pela dúvida. No final eu nem sabia muito bem o que pensar, já que a todo momento diversas informações são jogadas na nossa cara e ela só fazem sentido quando o filme acaba. Isso é bom pois gosto bastante dessa coisa de montar um quebra cabeça e juntar os detalhes, analisar o significado de tal cena, nesse ponto a direção de Tom Ford é bastante eficiente. As cores ajudam muito a contar a história e essa sutileza de detalhes dão um charme muito bonito na coisa toda, mesmo nas partes onde a trama parte para um lado mais cru e brutal. A trama realmente é muito boa e se desenvolve de uma maneira louca que nos deixa bem curioso para saber onde tudo vai dar, isso sem falar no final que vai te deixar pensando por alguns minutos e se vale como conselho, é bom debater com alguém. Garanto que vai ter um conflitinho de opiniões ai.

Boa parte da força do filme vem, obviamente, de atuações poderosíssimas dos protagonistas. Jake Gylenhaal e Amy Adams se superam, ambos com atuações ma-ra-vi-lho-sas e com personagens cheios de camadas que nos fazem pensar muito em relação a suas atitudes (e também nas nossas); algo essencial para um filme onde o silêncio parece gritar, não é verdade? Mas a surpresa veio mesmo de Aaron Tayor Johnson (Kick Ass), que realmente prova que não devemos subestimar ninguém. Seu personagem é detestável e sua atuação só intensifica esse nojo, confesso que fiquei chocado quando percebi que era ele.

Porém, não consigo negar o tédio que senti durante boa parte do filme. Principalmente nas partes que dizem respeito a Susan, que vamos combinar, não é lá uma personagem muito carismática. Isso sem falar nas diversas cenas desnecessárias que estão espalhadas pelo filme todo e que pouco acrescentam na trama (tipo aquela do celular), parece que eles esticaram demais o filme, Tom Ford deixou muita barra sobrando nessa calça e tava difícil de segurar em alguns momentos. Ok, essa piada foi péssima, mas acho que ilustra o que eu quero dizer. Tive a impressão que em alguns momentos Animais Noturnos quis ser mais ”cult” do que deveria e não acho que essa história precisava de tanta maquiagem.

Acredito que a simplicidade às vezes consegue falar até mais alto do que o ”exagero”, culminando em algo muito mais impactante. Pela escolha do diretor em colocar vários elementos que tiveram a intenção chocar, achei que a trama perdeu um pouco do *BOOM* que poderia ter e me distanciou de um vínculo real com tudo o que estava assistindo. Teve muita coisa aleatória ali no meio, tipo aquela cena inicial, que vamos combinar né…. mais pareceu uma birrinha do tipo ”serei controverso sim” do que uma mensagem  significativa.

Animais Noturnos é um filme perfeito para quem gosta de analisar personagens e o comportamento humano, cheio de detalhes e coisinhas, é um prato cheio se você gosta de grandes debates sobre atitude, psicologia, coisas que não tem significado aparente e etc e tal. Ele realmente cumpre esse papel de ser um suspense chique, mas ainda acho que teve coisas demais ali; sabe quando o participante do MasterChef entrega um prato maravilhoso mas serve junto um molho super aleatório que tira muitos pontos? Então, foi bem isso que senti em alguns momentos do filme, que é claro, também não tira as várias qualidades que ele tem, mesmo que ainda cause um desnecessário estranhamento. Acho que Tom Ford deveria ter levado em consideração a famosa frase de uma outra grande estilista…

“Antes de sair de casa olhe-se no espelho e tire um acessório” – Coco Chanel

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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