“Annabelle 2 – A Criação do Mal” é um filme simples e assustador.

Apesar de lucrar milhões em bilheterias, o primeiro filme da boneca Annabelle foi bem massacrado, tanto pelo público, quanto pela crítica. Mesmo inserido imediatamente a boneca de Satanás na cultura pop mundial, um consenso quase que geral foi que a trama não fazia jus ao peso que a personagem ganhou. Ou seja, a sequência veio com a grande missão de não só fazer mais dinheiro, mas também ganhar o público que não curtiu a primeira parte e limpar a mancha que foi deixada no currículo, afinal, a popularidade da fofa é tremenda e seu apelo com o gênero de terror é fortíssimo, não é mesmo?

Na trama de Annabelle 2 nós acompanhamos um fabricante de bonecas e sua esposa, que após perderem a filha pequena, resolvem abrir as portas de sua fazenda para uma freira e um grupo de meninas órfãs. Janice é uma dessas crianças, mas por sofrer de um problema na perna, ela passa o dia todo dentro do casarão. Não demora muito para que uma série de acontecimentos sinistros assombrem sua vida e todos eles parecem estar ligados a uma boneca loira e sorridente que pertencia a filhinha do casal. QUEIMA, JEOVÁ!

Com uma história envolvente e personagens bem desenvolvidos, Annabelle 2 – A Criação do Mal é infinitamente melhor que o primeiro por muitos motivos. A começar pela direção de David F. Sanberg (Quando as Luzes se Apagam), que aposta na simplicidade montando um clima de terror divertidão e mais do que tudo, eficiente. Aquela sensação de suspense está presente e apesar de previsível em muitos momentos, não é daquela maneira rápida que estamos acostumados, as cenas tensas são bem longas e nos abraçam naquela atmosfera. É uma delícia se deixar levar nesse clima, que me lembrou bastante os filmes de terror mais antigos, com bastante perseguição, gritaria e como não poderia deixar de ser… sustos.

As cenas macabras são constantes e não tem muito espaço para lenga lenga, toda hora tem algo acontecendo e o roteiro não perde tempo com aquelas tramas batidas de ‘’vou investigar o que está acontecendo’’, os personagens estão com medo e nós realmente conseguimos sentir isso, Annabelle não está para brincadeira, há diversas cenas ali com um grau de terror muito bom e com uma tensão muito gostosa de acompanhar. Só para ilustrar, imaginem um quarto de criança escuro e algo começa a atazanar uma garotinha deficiente que não consegue correr. Esse é o clima de Annabelle 2, eles sabiam o material que tinham em mãos e exploraram de uma forma assustadoramente divertida, entregando para o público tudo aquilo o que procuramos quando falamos em uma boneca tenebrosa, que transporta um demônio camarada ao seu lado.

Se a direção não deixa a desejar na construção de clima, também não falha na construção de suas protagonistas. Janice e Linda são simpáticas demais e isso só melhora por serem interpretadas por duas ótimas atrizes, Talitha Bateman e Lulu Wilson (Ouija – Origem do Mal), suas personagens não são meninas bobinhas e esse é um grande acerto, nós realmente torcemos por elas. Colocar duas crianças nos papéis principais foi uma grande sacada e reforça aquele ar de filme de terror antigo, que nos envolve justamente por ter dois elementos capazes de nos fazer sentir boas sensações: aventura e terror. Annabelle também é uma usada de uma forma inteligente e a maneira como o dois capítulos se interligam é bem bacana, intensificando ainda mais a qualidade desta nova produção.

Ao sair da cabine de imprensa de  Annabelle 2 – A Criação do Mal, eu estava realmente muito feliz pois me diverti demais com o filme. Sentia muita falta de uma produção do gênero que fosse despretensiosa e apostasse na simplicidade, misturando os sustos com uma história bacana e sendo fiel no propósito de entreter, nada mais do que isso. É legal reparar que trouxeram de volta o terror que utiliza de locais comuns, tipo uma casa grandona e um quarto escuro como objeto de tensão; apostar no básico fez total diferença e mesmo que ele não traga coisas inovadoras dentro de sua proposta, foi muito gratificante sair da sala do cinema com aquela boa e velha sensação de ‘’pô, que filme daora!’’.

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.