”Ao Cair da Noite” é um filme que muitos provavelmente vão odiar.

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Da mesma produtora de (do maravilhoso) A Bruxa, Ao Cair da Noite é um filme que vem sendo muito aclamado pelos críticos e até o momento conta com 87% de aprovação no Rotten Tomatoes. Aguardado com certa curiosidade pelos fãs do gênero, sem muitos detalhes ou explicações, ao longo da trama nós acompanhamos uma família que habita uma espécie de mundo pós apocalíptico, onde as pessoas vivem isoladas uma das outras devido a um misterioso vírus mortal. A paz metódica dessa casa é abalada quando em uma bela noite um rapaz aparece, mexendo com toda a calmaria deste lar doce lar e principalmente com o psicológico de seu dono, que fará qualquer coisa para se manter saudável.

Ao Cair da Noite é um filme que, assim como o seu ”primo”,  A Bruxa, muitos provavelmente vão odiar. Com um ritmo lento e uma história cheia de camadas, a atenção aos detalhes e diálogos é um requisito mais do que necessário para aproveitá-lo da maneira adequada. Ou seja, não espere um terrorzão à la Atividade Paranormal, cheio de sustos e cenas macabras, a coisa aqui é psicológica meeeeeeesmo e você tem que ter muita paciência como tudo se desenvolve na tela. Ele definitivamente não é um terror convencional, então se você não curte tramas onde o silêncio ajuda a contar uma história, melhor não passar nem perto, afinal, não estamos falando de um terror sobre um vírus mortal ou criaturas sanguinárias, mas sim sobre o ser humano e como ele reage em situações de desconfiança.

Apesar de gostar bastante de filmes com uma história que vai além do óbvio, que te passa poucas informações sobre o que está acontecendo e que te faz ficar pensando e juntando peças de um quebra cabeça quando chega no final, eu não consegui me envolver muito com tudo o que estava assistindo. Talvez a falta de carisma dos personagens, ou a falta de momentos impactantes na trama, tenha me barrado a criação de um vínculo com eles e ficasse indiferente às situações. Durante os 91 minutos da projeção, tive a impressão que pouca coisa relevante aconteceu, há muitas cenas arrastadas e mesmo que os minutos finais tenham sido bem tensos e também ajudado muito a esclarecer sobre o que o filme se tratava, não foi o suficiente para que eu saísse da sessão em êxtase com tudo o que vi.

A essência da trama é excelente e é uma delícia ficar pensando em tudo o que aconteceu, as teorias são inevitáveis e todo esse exercício mental é bem foda, mas o desenvolvimento de Ao Cair da Noite, ao meu ver, foi bastante tedioso e isso eu não consigo ignorar. Diferente de A Bruxa, ou outros filmes com estilos narrativos semelhantes, este aqui eu não sei se assistiria mais uma vez, pois apesar de eficiente em sua criação de clima, ele peca bastante na entrega de respostas e deixa basicamente tudo para que o espectador tire as suas próprias conclusões. Eu particularmente não gosto muito quando isso acontece, pois a impressão que dá é que o diretor podia aprofundar um pouco mais a trama e estabelecer um conflito mais intenso, onde o impacto de seus rumos fosse muito maior e marcante. Pô, eu não quero a MINHA visão sobre o SEU filme, eu quero que VOCÊ me convença, quero que VOCÊ me surpreenda. Entendem o que eu quero dizer?

Ao Cair da Noite não é um terrorzão para adolescentes ou a galerinha que vai para o cinema ficar fazendo piadinha quando uma cadeira cai e faz barulho de trovão; se você quiser muito assisti-lo, minha recomendação é que procure uma sessão mais tarde e de preferência em um cinema bem vazio. Você vai precisar de bastante imersão para se envolver com a trama, porém, apesar de tudo, mesmo com uma trama diferente sobre ”vírus mortal”, um clima legal e todas as coisas que passam na nossa cabeça ao longo do filme, a conclusão que cheguei é que nem sempre a falta de informações ou rumos concretos é uma coisa pertinente, pois algo que parece ser extremamente bem pensado pode acabar passando uma grande sensação de vazio.

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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