Até o Último Homem (Crítica)

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O início o filme nos remete ao típico filme americano de patriotismo, mas engana-se que se trata apenas do soldado que faz de tudo pelo seu país, mostrando seu orgulho excessivo pela nação americana. Até o Último Homem vai além desse devaneio ao abordar a religiosidade como um dos seus principais pontos, deixando claro que o valor de um homem não está em ir a uma guerra e tirar a vida de seu inimigo, mas sim salvar a de seus amigos.

A história acompanha o jovem Desmond Doss (Andrew Garfield), cujo os motivos que o faz se alistar para lutar (?) na Segunda Guerra Mundial, não se alinham exatamente aos dos outros soldados. O jovem preza a vida e não a morte, sua intenção em ir para a guerra é servir ao seu país como qualquer outro soldado, pois sente a necessidade de agregar ao exército de alguma maneira, sem necessariamente manejar um arma como seus compatriotas.

Garfield está passando por um ótimo momento no cinema, para deixarmos para trás suas interpretações nos dois últimos filmes do Homem-Aranha, tão criticado por críticos e fãs do super herói aracnídeo. Sua atuação é simples, modesta, calma, com um sotaque caipira que parece ser exagerado, mas que prova ser no ponto certo ao mostrar no final do filme o verdadeiro Desmond Doss documentando muitos dos fatos relatados no filme. Vemos que Garfield fez um excelente trabalho e desempenhou com vigor aquele personagem real da história americana. Realmente não tem como não simpatizar com Doss, com seu ar ingênuo, engraçado em certos pontos, sem trair suas convicções acima de tudo, nos faz pensar em como seria uma guerra se mais pessoas fossem mais determinadas a dar valor a vida.

O elenco de apoio também está excelente: Vince Vaughn (como Sargento Howell), diferente de tudo que já fez no cinema, faz um personagem incrível tirando aquele ar cômico que estamos acostumados a ver. Hugo Weaving e Rachel Griffths (como pais de Doss) dispensam apresentações, sempre com atuações acima da média, principalmente Weaving com cenas muito emocionantes, por se tratar de um ex combatente, demonstra com muita emoção as consequências que uma guerra pode deixar em uma pessoa.

Não podemos dizer se este é o melhor filme do diretor e ator Mel Gibson, mas com certeza continua com seu selo de qualidade. Com as cenas do confronto direto muito típica do gênero (com corpos para todos os lados, combatentes sem membros, e muito sangue), chega a distrair sobre a real intenção do filme, mas não tem jeito, é o que podemos esperar de um filme de guerra não é mesmo? Como um único homem poderia salvar tantas vidas no meio de um confronto tão sangrento sem dar um único tiro?

Temos nos momentos finais do filme o real significado de seu título, a verdadeira arma daquele homem, SUA FÉ. A fé de usar seus métodos para ajudar seu grupo, determinação em mostrar que sua presença naquele local pode ser tão eficiente como de qualquer soldado que impunha um rifle. E Doss demonstra tal atitude que logo vira um símbolo daquele confronto onde não existia mais esperança e um salvador na vida de tantos homens que ajudou a salvar.

Em um misto de religião e violência, o espectador fica à mercê de qual lado da guerra está, se aquela matança para os olhos Deus é justificável, pois seria uma defesa para si próprio e não a quebra de um dos Dez Mandamentos (não matarás) ou se podemos guerrear sem necessariamente ter que tirar a vida de alguém. Enfim, ao final do filme não consegui ter uma resposta de qual lado seria o mais justo ou compreensível. Só Mel Gibson com sua produção patriótica o suficiente para responder em que lado fica nessa guerra.

Thiago Martins
Colaborador | Também do autor.

29 anos, formado em Administração, atualmente estudante de Arquitetura e Urbanismo e só Deus sabe qual será a terceira. Apaixonado por filmes, séries, livros, HQs e tudo mais que me leve para outro mundo. Sofro de Coulrofobia (medo de palhaço) e seres rastejantes. Espero um dia ver todos os livros que gosto, retratados em bons filmes. Como um bom nerd, sonho em conhecer o Stan Lee.

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