”A Autópsia” é um terror que sai da zona de conforto.

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Com o uso da habilidade de causar o medo para contar histórias, que em seu centro são praticamente moralistas, filmes como “O Massacre da Serra Elétrica”, “Psicose” e outros do terror de maníaco punem os jovens ou despreocupados pela sua falta de compostura e “erros” sociais cometidos. E aqui em A Autópsia, André Øvredal (Troll Hunters) usa do gênero para trazer reflexões sobre a culpa das relações pessoais por decisões tomadas, seja por você ou outros, e o redemoinho de consequências que podem cair sobre qualquer um.

O filme de horror começa de fato quando um corpo, aparentemente conservado em bom estado, é encontrado e levado para a autópsia, onde um pai e seu filho irão tentar descobrir a causa da morte enquanto revelam todo o sofrimento passado por aquela mulher em vida e a causa de sua vingança sobre o mundo e as pessoas que a causaram sofrimento. Não se trata de um medo causado pelo sobrenatural e sim uma certa empatia criada a partir do sofrimento alheio. Poucos são os filmes que sabem sair da zona de sustos e conforto, mas aqui há certa personalidade para o gênero que vem se reinventando nos últimos anos.

O elemento que carrega de fato as quase duas horas de filme é muito mais o suspense do que o terror e se ao fim o espectador levar mais em conta o seu lado fantasioso e significados metafóricos, é capaz de levar junto do arrepio que a maioria busca, também algo para pensar sobre seus relacionamentos. A camada perfeitamente estável por fora, que revela um interior sofrido e em busca por libertação. A Autópsia acaba por servir muito mais um propósito experimental ainda que com um fundo de ligação ao gênero que utiliza, seja na dor, ambientação, formato ou clichês que ainda sustenta.

Dessa forma, o filme que representa os muitos desconhecidos e não identificados a sua volta, carrega tudo de bom que um gênero pode dar ao ser trabalhado por um viés mais cinematográfico, sem buscar somente o lucro da expectativa sobre o nome.

Vinícius Soares
Colaborador | Também do autor.

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto

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