“Bright” é grande demais para um espaço pequeno.

 

Trazendo criaturas místicas, magia e conflitos de direitos humanos à tela com a ajuda da Netflix, o diretor David Ayer (Corações de Ferro) e roteirista Max Landis (Poder Sem Limites) oferecem ao público uma junção de suas características mais marcantes: a masculinidade e ação, com o humor e fantasia. Traços estes que podem funcionar individualmente ou em um arranjo diferente, mas que aqui ficam em conflito para decidir quem toma frente da personalidade do filme. Trazendo um produto final interessante e com uma mitologia rica que acaba por ser desvalorizada, seja na comédia fora de hora ou na previsibilidade de suas ações.

Aqui, em uma Los Angeles inundada de seres fantásticos, o policial Daryl Ward (Will Smith) é colocado em parceria com um orc, Nick Jakoby (Joel Edgerton), para encontrar e proteger um artefato mágico que à milhares de anos foi buscado por todas as raças – humanos, orcs, elfos – que desejavam ter seus desejos atendidos. No entanto, no caminho estes encontram aqueles que buscam, com o poder da magia, trazer de volta ao mundo o Senhor das Trevas.

Caso pareça muita informação para processar é porque, de fato, criar um novo mundo realista em sua fantasia requer o tempo e cuidado que Bright não tem. Em seu primeiro ato existem diversas cenas que buscam fazer o espectador entender que naquela realidade a sua praga do quintal não são abelhas e sim fadas. Que no caminho para o trabalho você pode passar por uma vizinhança de Orcs ou por um centro rico dominado por elfos.

Porém, é em pouco tempo que Bright têm que fazer suas escolhas e focar no discurso de diversidade e convivência amigável entre grupos diferentes, ou embarcar de cabeça nessa jornada baseada em uma caçada às bruxas entre magia e armas de fogo. E é essa decisão não é feita em 120 minutos de filme.

Já na cotação visual da história o filme acerta na sua tentativa de mesclar a fantasia na realidade. As cores frias e a maquiagem realista dos personagens junto das roupas não evoca uma visão de Senhor dos Anéis ou Warcraft quando estes são mostrados em tela. Existe um ar de misticidade, mas que não compromete sua coesão.

No fim, o aspecto que mais dificulta a performance de Bright é a sua vontade grande demais em seu espaço pequeno. Antes de tentar contar todo um ciclo complicado em poucas horas, talvez um segundo filme ou uma história mais simples teria feito de sua Los Angeles um palco para um épico mundano sem grandes subplots que desviam o foco narrativo.

Vinícius Soares

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto

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