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Bruxa de Blair (Crítica)

Você pode até não concordar, mas não dá para ir contra os fatos de que A Bruxa de Blair é um clássico absoluto do cinema moderno. Não há dúvidas de que ele ajudou a redefinir o gênero e marcou não somente uma época, mas também uma geração; dando origem e fama a um sub gênero do terror que, mesmo dividindo opiniões, é um dos mais populares da atualidade: os falsos documentários.

Gravado sob o título The Woods, inclusive com um trailer lançado com este nome, a verdade por trás da produção foi revelada em julho de 2016 e se tratava de nada menos que uma sequência do famosíssimo filme de 1999, resultando em um verdadeiro choque para a internet e rapidamente se tornando um dos mais aguardados do ano. Afinal, os sortudos que puderam conferir em primeira mão não fizeram questão de poupar elogios, colocando o filme em um patamar arriscado, onde qualquer expectativa frustrada poderia resultar em um fracasso que bruxa nenhuma poderia consertar

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Dessa vez acompanhamos o irmão da protagonista do primeiro filme, James. Ele cresceu obcecado com toda a história do desaparecimento da sua irmã e reúne uma equipe para entrar na floresta, gravando um documentário sobre a busca e sobre a lenda da bruxa do local. Porém, como sabemos, a fofa não só é real, como também não pretende deixá-los saírem vivos de lá, fazendo um verdadeiro inferno da noite de cada um deles 🙂

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Adam Wingard (Você é o Próximo) é um diretor para ficarmos de olho; digo isso pois o seu trabalho aqui seja realmente notório. Repetindo a parceria com o roteirista Simon Barrett, é muito bacana ver a maneira como eles apresentaram a história da bruxona para uma nova geração. Ela é muito bem adaptada para os dias de hoje e apesar de ser bastante parecido com o original, a equipe apresentou várias ideias legais, inserindo novos elementos para a sua mitologia e dando uma sensação de originalidade que a diferencia um pouquinho de seu antecessor. Um ponto muito bom para uma sequência/reboot, vocês não concordam?

Isso sem falar na construção de clima, que devagarzinho vai ganhando forma, nos colocando dentro da floresta, apenas esperando o momento onde a merda irá para o ventilador e as coisas ficarão realmente sérias. No quesito terror, Bruxa de Blair é realmente eficiente e cumpre sua missão, há muitas cenas macabras e momentos bem divertidos para os fãs do gênero. Só por favor, procure uma sessão mais calma, este tipo de filme depende bastante da sua imersão e vale reparar que em muitas cenas o silêncio falar por si, dando um tom bem interessante e assustador na produção. Sua sonoplastia auxilia muito no envolvimento e aqui é super bem feita, principalmente nos minutos finais 😉

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Porém nem tudo são flores, mesmo com um roteiro que não nos deixa entediado e entregando a diversão, é com uma lágrima quase caindo do olho esquerdo que informo que Bruxa de Blair sofre do mesmo problema grave de muitas produções do gênero nos dias de hoje, uma doença terrível chamada TRAILER. Por mais que ele esteja bem longe de ser ruim ou chato, sabe quando parece não haver de fato uma surpresa no meio de tudo? Parece que as coisas mais legais foram divulgadas previamente e mesmo com a inserção de novos elementos, tive a sensação de que tudo o que a trama tinha de mais legal, no quesito sustos e medo foi mostrado previamente. Isso me tirou um bocadinho do impacto que algumas cenas poderiam ter, principalmente na parte final, que conteve uma tensão absurda mas que infelizmente foi rachada por saber informações que já haviam sido mostradas em seu material de divulgação. Custava nada terem mostrado um pouco menos, poxa vida, a coisa tava indo tão bem.

Outro fato que me decepcionou um pouco pode ser considerado como SPOILER. Se você quiser saber o que é, basta selecionar o trecho a seguir 🙂

<início do spoiler> me incomodou o fato da bruxa aparecer.. mesmo que de relance. Uma das coisas que mais acho geniais na ideia de A Bruxa de Blair é o fato de não a vermos e ficarmos sem realmente saber se ela existe. Eles quebraram essa fantasia e não consegui evitar a tristeza com a revelação.  <fim do spoiler>

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Mesmo com algumas ressalvas, Bruxa de Blair é um bom exemplar de como uma sequência poderia ou deveria ser, ela não ofende e nem perde a essência de seu original, ao mesmo tempo dando uma calibrada em suas ideias, mantendo o terror sempre presente e usando elementos que mexem com a imaginação do espectador. Se o seu marketing tivesse sido tão discreto quanto as suas filmagens, talvez o resultado para mim fosse mais intenso, com muito mais sustos e tensão. Não vou negar que me diverti bastante, só acho que ele lembrou um pouco a sensação de comprar um lanche novo do McDonalds, a promessa é maravilhosa, mas quando abrimos a caixinha, bem… pode até ser gostoso e agradar naquele momento, só que bate aquela deprê quando lembramos do que realmente esperávamos, não é mesmo?

3 estrelas

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Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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