“Chocante” tem uma história gostosa e nostálgica.

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Com um elenco de peso, o filme narra a trajetória de uma banda pop que teve uma carreira meteórica, cujos integrantes não aceitaram muito bem o desenrolar de suas vidas e carreiras, mas que ao se encontrarem 20 anos depois, movidos pela nostalgia, decidem reviver os momentos de glória e talvez, resgatar o sucesso que não obtiveram em suas vidas adultas.

Os anos de 1990 marcaram o sucesso da boy band brasileira Chocante. Vinte anos mais tarde, o grupo acabou, e Clay (Marcus Majella), Tim (Lúcio Mauro Filho), Téo (Bruno Mazzeo), Toni (Bruno Garcia) e Tarcísio tomaram rumos diferentes na vida. Os antigos colegas se reúnem para um evento inesperado: a morte de Tarcísio. No funeral, eles decidem se apresentar mais uma vez, em nome dos velhos tempos. No lugar do falecido colega, entra o novato Rod (Pedro Neschling). A partir daí, o filme explora o universo pop, a década de 90 e faz um paralelo com os tempos atuais, porque nesse meio tempo, a gente consegue entender e comparar como eram as relações entre fãs e ídolos nessas duas décadas.

A trama traz comédia, com piadas pontuais, situações inusitadas, e sobra até para o figurino, que em alguns momentos, é uma piada por si só, de tão brega (característica marcante daquela década), mas também traz ironia ao mesmo tempo que tem uma visão dramática e reflexiva, principalmente quando fala sobre o lado afetivo, relações humanas, nostalgia, conflitos familiares, amizade e vida adulta, fazendo uma crítica nesse meio tempo, sobre: fama, sucesso, equilíbrio, afetividade, sentimentos, responsabilidade, falhas, fracasso e aceitação.

A modernidade e o passado fazem uma transição interessante, ao abordarem o impacto do sucesso nos 80 e nos dias atuais, essa colisão dos dois mundos, projeta uma diferença de comportamento com o alcance das bandas e dos famosos nessas diferentes épocas, pois hoje, o acesso ao materiais dos artistas são mais acessíveis, fazendo com que os fãs tenham mais alcance e chances de estar junto ao seu ídolo, enquanto antigamente, a batalha por informações e proximidade era bem mais árdua, porém a paixão dos fãs dessas duas diferentes décadas é a mesma, e percebemos que o impacto e o alcance é que se tornou muito maior, tornando a comoção toda um grande evento desproporcional, diferente de antes.

Com tudo isso, é perceptível que filme consegue ser capaz de mexer com todos os sentimentos; alegria, tristeza, separação, compreensão, empatia, relações familiares, superação, busca e sobrevivência e dignidade, ele enfatiza bastante nosso lado humano e as sensações que vivenciamos no nosso cotidiano, se tornando  algo real e palpável porque nos faz refletir bastante sobre essa transição para a vida adulta, ao mesmo tempo em que nos faz sonhar com o impacto que a fama teria em nossas vidas, aquela velha história do “e se”, que permeia nossos sonhos e por vezes, nos fazem continuar tentando e insistindo em sonhos e em nossas carreiras. Isso nos emociona, nos faz sentir mais normais e humanos, porque a gente entende que acontece com todos, pois a história transita muito bem entre drama e comédia, entre realidade e a ficção, e nos faz navegar naturalmente com ela.

No final a gente entende que o filme fala sobre amadurecimento, sobre a superação, sobre nós enquanto humanos, tentando recuperar algo que perdemos na transição da adolescência para a vida adulta, algo de que precisamos para continuar com algo que chamamos de esperança, que é combustível dos sonhos e mais, o combustível do otimismo, aquilo que nos leva sempre a tentarmos ser melhores.

Liliane Stoianov
Colaborador | Também do autor.

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.

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