“Cinquenta Tons de Liberdade” é um filme que você já sabe o que esperar.

 

Acho que a essa altura do campeonato todo mundo já sabe o que esperar de Cinquenta Tons e também o que a grande maioria pensa a respeito, não é mesmo? Porém, se você espera (ou quer) ler mais uma resenha acabando com o filme e despejando ódio em cima do romance entre Ana e Christian, tenho que ser sincero, talvez esse texto não seja para você.

Digo isso pois eu realmente gosto dos filmes da franquia e gosto de enxergar seus pontos positivos, mesmo que os negativos gritem. Não que eles sejam a melhor coisa do universo, mas para quem gosta de romance (tipo eu), acredito que eles sejam um prato cheio justamente por abusar dos clichês e entregar tudo aquilo que o seu público alvo procura: uma história de amor bem mela cueca, com um certo grau de comédia e bastante erotismo.

Dessa vez Christian e Ana estão casados e curtindo sua vida de riqueza, ostentação, sexo, bons drinks, viagens, mais sexo e safadeza. Tudo vai muito bem na vida do Sr e da Sra Grey, porém, um inimigo do passado está de volta para tirar o sossego desse casal e fazer da vida mansa deles um verdadeiro inferno.


Basicamente, se você gostou dos anteriores, você também vai gostar de Cinquenta Tons de Liberdade. Tudo continua do jeito que está, desde os diálogos bobinhos até as cenas de sexo embaladas por músicas moderninhas. O filme não saiu da sua zona de conforto (se é que podemos chamar assim) e sei lá, não acho que isso seja errado, afinal, ele é de fato feito para uma galera específica que quer ver isso mesmo; e isso não inclui os mais exigentes ou analíticos.

Na sua proposta de ser uma espécie de comédia romântica sensual, com pitadas de suspense e para não ser levada a sério, a produção consegue com certeza ser bem sucedida. O suspense está mais nítido aqui e temos uma pequena dose de ação, com bastante perseguição e violência que deram um tom levemente diferente dos outros dois. O sexo também continua muito constante e temos cenas bem quentes (uma delas envolvendo um pote de Ben & Jerry’s) que certamente vão agradar os fãs da saga e dar aquela mexida no imaginário de muita gente.

Nessa terceira parte, Ana está mais afrontosa e rende momentos muito legais marcando o seu território como uma mulher bem sucedida e tendo um marido gostosão ao lado. Cheia de frases de efeito e com bastante empoderamento, é uma ótima evolução para a personagem, que mesmo com a fragilidade, não pensa duas vezes antes de se impor. Indo contra os ideais de Christian (que está mais gostoso do que nunca), é muito legal ver essa dinâmica entre eles, dando um climão bem descontraído durante todo o filme. Essa falsa inocência da história realmente consegue me comprar e acredito que Cinquenta Tons seja um dos maiores guilty pleasures dos últimos anos; não consigo negar esse lado “tia” que existe dentro de mim.


Sinceramente, não há muuuuito a ser dito sobre esse capítulo final que já não tenha sido citado anteriormente. Cinquenta Tons de Liberdade é um filme para não ser levado a sério e isso tem muito o seu valor dependendo do momento. Não acho que seja errado se render a isso de vez em quando e o filme me agradou justamente por  me fazer esquecer do mundão lá fora e embarcar em uma história de amor totalmente ficcional, que mesmo não surpreendendo, também não ofende o tanto quanto falam por aí. Em um mundo cheio de raiva e preconceito, é sempre bom dar uma aliviada com algo cujo propósito é descaradamente nos fazer desligar o cérebro durante alguns minutos. Basta você estar disposto a isso 😉

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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