”Colossal” é completamente louco… e isso é bom!

Colossal é um filme completamente sem eira e nem beira, uma metáfora sobre como os seres humanos conseguem ser destrutivos! A história gira em torno da vida de Glória (Anne Hathaway) que deixa Nova York e volta para sua cidade natal após perder o emprego e o noivo. Ao acompanhar as notícias sobre o ataque de um lagarto gigante a Tóquio, ela descobre que está misteriosamente conectada mentalmente ao evento. Para evitar novos casos parecidos e uma eventual destruição total do planeta, Gloria precisa controlar os poderes de sua mente e entender por que sua existência aparentemente insignificante tem tamanha responsabilidade no destino do mundo.

O filme se segura muito nas atuações dos protagonistas, que inclusive possuem uma conexão muito legal e a gente percebe como eles se sentem à vontade atuando juntos, mas Colossal é completamente louco mesmo, a ideia de que um monstro está atacando uma cidade inteira, e as reações dessa criatura estão diretamente conectadas com um ser humano, é bem viajada, mas o filme tem seus toques de drama, romance e comédia já que a vida da personagem principal está completamente de cabeça pra baixo. Para completar, ela também é corresponsável por uma destruição sem precedentes e completamente aterradora de uma cidade, ou seja, ela precisa se reerguer, ajeitar a própria vida e ajeitar todos os estragos que lhe causaram e que ela mesma causou. Diga-se de passagem, essa mistureba inusitada até que não ficou tão ruim.

Eu acredito muito que a crítica social que o filme faz é com certeza essa, sobre como somos responsáveis direta e indiretamente pelas consequências das nossas ações, e também sobre como lidamos com os erros dos outros, como podemos evitar que nossas reações potencializem a nossa dor e a dor dos outros, da pra pegar um filme aparentemente completamente louco desses e sair refletindo sobre como, porque e quando causamos estragos por aí, e acho isso muito válido sim! O que surpreende é que no final o tal do monstro se torna um mero coadjuvante, e de colossal fica mesmo a destruição que o próprio ser humano pode causar.

Liliane Stoianov

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.