”The Discovery”: Mais um exemplo de filme que tenta ser mais inteligente do que é.

O novo filme original da Netflix volta a tratar da vida após a morte e seu impacto no mundo e nas pessoas assim como sua recente série The OA. Aqui com a direção de Charlie McDowell, Jason Segel (How I Met Your Mother), Rooney Mara (Carol) e Robert Redford (Butch Cassidy) dão vida, respectivamente, aos personagens Will, Isla e Thomas que precisam balancear seus sentimentos, descobertas e crenças quando a existência da vida após a morte é confirmada e o mundo se encontra em um estado caótico com o alto nível de suicídios e a perda de esperança.

The Discovery é mais um exemplo de filme que tenta ser mais inteligente do que é e com suas tentativas de parecer relevante que encontra-se em um estado desgovernado acabado com sua proposta possivelmente interessante, deixando apenas noventa minutos datados, com diálogos ruins e atuações incrivelmente forçadas para tentar encher o buraco de uma história mal contada. São várias às vezes em que o roteiro do filme abre espaço para parágrafos meramente explicativos para tentar incluir o espectador nos dramas pessoais e histórias do passado que deveriam criar empatia com as personagens, explicitando a falha na estrutura narrativa somente para desperdiçar o potencial em alguns de seus atores.

Os elementos cinematográficos também não colaboram para a jornada. A tentativa fotográfica de dar um ar melancólico e triste para as cenas acaba por incomodar e cansar a vista que tenta achar o verdadeiro sentimento por trás dos tons frios de branco e azul.

Ao terminar The Discovery tenta ter o impacto de filmes como O Homem Duplicado, Os Suspeitos e até o mais recente A Chegada, mas acaba por ficar fora dos holofotes com sua fórmula pensada sem um grande interesse, seja ele narrativo ou visual. As quase duas horas são gastas em tentativas e mais tentativas que empurram o interesse na expectativa de alguma revelação interessante e aqui, a vida após a morte não é suficiente.

Vinícius Soares

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto

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