”Em Ritmo de Fuga” só pode ser definido usando palavrões.

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A minha vontade é de começar esse texto exaltando os quatro palavrões que soltei quando Em Ritmo de Fuga chegou ao fim. Eles não foram leves, mas definiram muito bem o nível de animação que eu estava quando os créditos começaram a subir na tela do cinema.

Sem saber ou esperar nada deste filme, eu cheguei na exibição para a imprensa preparad o para mais um filme de ação comum e que no mínimo me divertisse. Se fosse isso já estava bom e eu sairia felizão, porém, Em Ritmo de Fuga conseguiu algo que poucos filmes do tipo conseguiram nos últimos anos: CATIVAR.

Esses filmes de macho, com tiro, porrada, bomba, mulher gratuitamente exposta, carros e sonzera, costumam entregar no mínimo a diversão e fazem a alegria da galera por aí. Mas e se eu te falasse que esse aqui vai muito além. Isso mesmo. E se eu contasse também que ele é tão maravilhosamente bem escrito e pensado, que elevam essa categoria de produção a um outro patamar? Em Ritmo de Fuga é facilmente destacado no meio de tantos outros e a sensação de se envolver com os personagens em um filme de ação é um dos seus maiores acertos. O elenco maravilhoso e cheio de astros (tipo Kevin Spacey e Jamie Foxx) é só um detalhe, beleza?

Para começar estamos falando de um filme no qual o protagonista é um esquisitão, apelidado de Baby, que tem um zumbido no ouvido e usa a música como uma forma de abafar este som. Além disso, Baby é um capeta no volante e tem uma parceria V1D4 L0K4 com um chefão do crime, que claro, sabendo que o menino manda bem como piloto de fuga, o chama para todos os seus corres. A partir daqui vocês verão com os próprios olhos, afinal, estamos diante de uma produção que mesmo com um clichê ali e outro aqui, consegue ser imprevisível e mais do que tudo: original.

As cenas de fuga são tão perfeitas e divertidas que em muitos momentos pensei: ‘’velho, esse filme poderia muito ser uma adaptação de GTA’’. Baby cometia todas as doideiras de quando eu jogava esse game e isso me deixou muito feliz, esse lado declaradamente descompromissado e estilosinho que o diretor Edgar Wright deu na produção, foi um diferencial gritante, mostra que ele realmente abriu a imaginação e entregou tudo aquilo que a gente quer ver quando falamos em perseguição. Barulheira de freio, acelerador, tiro pra lá e pra cá, carro capotando, gente gritando e tudo isso ao som de uma trilha sonora empolgante que é tipo, o purê de batata no cachorro quente, a finalização ideal para manter tudo delicioso e impecavelmente bem amarrado.

O roteiro de Em Ritmo de Fuga é muito bem pensado e mostra como os filmes de ação podem ser ao mesmo tempo, tensos, divertidos e insanos, sem cair na mesmice ou ser mais um na multidão. Com um visual moderninho e ótimas atuações de todo o elenco, eu tenho certeza que este aqui vai cair nas graças do público e será lembrado por muito tempo; Ansel Elgort (A Culpa é das Estrelas) esbanjou seu carisma e criou um personagem com um apelo muito grande para a cultura pop atual. Isso sem falar que todo o desenrolar da trama é uma crescente maravilhosa, que nos envolve e faz sentir as mudanças de clima na história, torcendo muito para que os protagonistas se deem bem no final. Algo raro nos filmes de ação, concordam?

Com muita música e humor, Em Ritmo de Fuga é um filme que me surpreendeu bastante. Realmente não estava preparado para curtir tanto a trama de Baby e mais do que tudo, que eu fosse me envolver a tal ponto. É uma ótima opção para aquele momento que você quer assistir um filme e se perder dentro dele; pensar nos personagens, entrar na história e sentir aquela linda sensação que o cinema é capaz de nos fazer: esquecer da vida real.

Se vocês querem saber os palavrões que eu falei quando saí da sessão, foram aqueles dois que tem abreviação em 3 letras, aquele que pode ser interpretado como um órgão reprodutor e claro, aquele que bem famosão, que começa com a letra F e o que mais define o que este filme realmente é 😉

Em Ritmo de Fuga estreia no dia 27 de julho nos cinemas de todo o Brasil.

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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