“Emoji – O Filme” é um comercial de 90 minutos.

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‘’MEU DEUS, UM FILME SOBRE OS EMOJIS?’’ foi uma frase beeem comum nos últimos meses e ela nunca vinha com uma entonação amigável. Emoji – O Filme foi vítima de uma verdadeira retaliação desde o início de sua produção, algo compreensível (não que justificável) se levarmos em consideração o material no qual a produção é adaptada, concordam?

A sensação que eu tinha, sempre que via algo sobre esse filme, eram de que algo não estava correto ali no meio, nada daquilo parecia ser interessante e tudo soava muito bizarro para ser verdade. Com tudo isso, duas coisas foram comprovadas: 01) Hollywood tem uma criatividade diabólica e 2) Eles fazem tudo por dinheiro.

Uma curiosidade sobrenatural me surgiu e nos últimos dias eu precisava mais do que coxinha, ver que merda que eles tinham aprontado, ver com os próprios olhos essa brisa louca, mesmo que aquele famoso pé atrás não me abandonasse. O que nos aguardava naquela sala de cinema? #PausaDramática

Na história, os emojis vivem em uma cidade (dentro do celular!) chamada Textópolis. Lá eles levam suas vidinhas normais, com famílias(!), aspirações(!), carreiras(!) e não expressam nenhuma reação além das quais foram designados. O trabalho deles (com direito a escritório e chefe mala) consiste em ficar parado dentro de um cubo e torcendo para que sejam escolhidos nas mensagens de texto; é aí que conhecemos Gene, um ‘’meh’’ que nasceu com grave defeito: ele consegue expressar mais de uma reação. Depois de causar uma verdadeira confusão na firma, Gene resolve se aventurar pelo mundo dos aplicativos atrás de um hacker que possa reprograma-lo e consertar esse problema, porém, essa jornada lhe reserva lições valiosas, que pode mudar o seu mundo para sempre.

Não se deixem enganar pela história acima, apesar de simpático, Emoji – O Filme é tipo aquelas bonecas de porcelana, que tem uma cara bonitinha de longe, mas de perto parecem uma entidade do inferno. Por trás dessa inocência, esconde-se um obscuro e perverso intuito: O MARKETING. A história de Gene e cia não é nada menos que um grande comercial de 1h30, onde somos obrigados a aturar descaradamente empresas tipo Spotify, Facebook e Google nos convencendo que são os mais poderosos do pedaço. Em um dos momentos, em meio às piadas pavorosamente sem graças que o roteiro insiste em nos jogar, somos obrigado a ouvir um personagem falando EM MEIO A SORRISOS E AVENTURA o quanto aquela empresa era segura e à prova de vírus.

Se só isso já não quebrasse o clima o suficiente, acrescenta aí um roteiro mal escrito, cheio de trocadilhos toscos e principalmente, sem o mínimo de encanto. Eu assisti o filme com aquela cara de quando a tia pergunta das namoradinhas: meio que incrédulo, meio que com vergonha. Mesmo estando de coração aberto e pronto para qualquer absurdo, as coisas que vi foram muito fritadoras de cérebro e difíceis de digerir sem nenhum aperol. Descobrir que os emojis procriam, tomam banho e fazem coisas normais, tipo passar Listerine nos dentes, é uma viagem muito doida (alô sessão da tarde!) e em sã consciência não dá para assemelhar o tanto de informação inútil e alucinógena que nos é apresentada.

O problema não é o filme ser sobre Emojis, mas sim porque ele é fraquinho mesmo. É tudo muito confuso e superficial, inserido de maneira aleatória e sem um envolvimento com a galera. É difícil de entrar na história, os personagens não são muito carismáticos e mesmo que o filme seja feito diretamente para as crianças, não acho que tudo precisasse ser tão… bobo. Tipo, beleza, quer fazer um filme eles, que faça, a gente assiste, mas faz direito, só isso. Nada parece que teve um cuidado na hora produção, o filme não tem alma ou personalidade, vemos um monte de cenas soltas, sobre situações mal elaboradas e para um filme que fala sobre se encontrar e mostrar ao mundo, isso foi uma bola muito fora.

Tipo, bem lá no fundo eu to com dó de falar mal dele, a intenção até que não foi das piores, só que né… não souberam dosar e desenrolar as coisas. Com mais tempo de dedicação, mais criatividade para desenvolver a trama, certamente o resultado seria outro. Foi um grande erro não sair da zona de conforto, já que a trama soaria absurda, porque não se entregar a isso? Ser muito corretinho e comum, prejudica a maneira no qual assemelhamos trama e claro, somos comprados por ela.

O lançamento de Emoji – O Filme sofreu do mesmo mal que a sua história, com os outros julgando e apontando com os dedos, tendo a chance de provar que estávamos todos errados. Seria um tapa na cara do povão e com certeza eu adoraria falar horrores sobre o quanto me diverti com o cocô, ou com a caveirinha e com a piscadinha, mas isso ficou bem longe de acontecer.  Estamos diante de um filme esquisito, que levanta pensamentos legais, mas não carrega um material que dê conta de tudo o que ele poderia passar. Sua mensagem é muito bacana e lamento muito que não tenha sido usada com personagens mais carismáticos, um clima menos capitalista e claro, com mais sentimento envolvido, afinal, é para isso que os emojis servem, não é mesmo?

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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