Esquadrão Suicida (Crítica)

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Esquadrão Suicida foi um dos filmes mais aguardados de 2016. Não há como negar que a avalanche de marketing feita pela Warner Bros acertou em cheio a galera e basicamente todo mundo que vive na internet hoje em dia sabia da existência dele. Os nomes de Arlequina e Coringa nunca estiveram em tanta evidência quanto nos últimos tempos e tudo o que foi mostrado nos trailers e todo material de divulgação era extremamente empolgante. A sensação de ver um filme onde os vilões seriam os heróis era inédita para a nossa geração, pensar nisso e em todas as possibilidades cômicas e alucinantes que a trama poderia ter, fez a cabeça de muita gente pirar e aguardar ansiosamente por esse filme, cujo a promessa era de chegar arrebentando a porta na voadora. É ai que entra o problema, segundo um grande pensador contemporâneo, é melhor criar gado do que criar expectativas. Ele tem razão.

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O principal problema de Esquadrão Suicida é o fato de que o trailer vende aquela coisa bagaceira, insana e doentia… e o filme é, digamos assim, comum.  É  triste dizer isso, ainda estou passando pela fase da negação, mas é muito chato reparar que um filme com tanto potencial para ser FODA, seja tão normal. Digo isso pois além dos vídeos divulgados já terem mostrado tudo que a trama tinha de melhor, ela simplesmente não empolga. Apesar do começo animador, parece que o download vai ficando mais lento no meio do caminho e quando chega no final de tudo você já está um tanto quanto indiferente.  Esse é um defeito gigantesco para um filme no qual a insanidade seria uma espécie de Santo Graal. A história principal foi mantida em segredo, mas nossa, somos apresentados a um vilão que não mostra de verdade a que veio e acaba caindo na tosquice. Não tem como levar aquilo como um perigo iminente e real e isso tem uma influência muito grande na hora que o bicho pega. Que balde de água fria, galera 🙁

Não tem uma cena de ação onde você fique verdadeiramente empolgado, onde somos colocados dentro da trama e torça pelo time de vilões, isso é frustrante. Isso sem falar que eles não são um bem esquadrão, não há uma formação de vínculos entre a turma ou uma cumplicidade para derrotar o verdadeiro mal que os uniu, eles simplesmente estão ali e não há desenvolvimento algum na sua dinâmica. Ok, eles não são bonzinhos e muito menos uma Liga da Justiça, mas ainda são um time e um time para ser bem sucedido, digo isso de uma forma ampla, tem que ter entrosamento. Coisa que não existe aqui, eles até tentam em algumas cenas, mas elas soam como uma tremenda forçação de barra. Reparem isso em um momento onde um dos personagens fala que eles são ‘’sua nova família’’. Cara… sério mesmo? Eles mal tem um diálogo de verdade entre si, apenas piadinha e zoeira, e ai do nada eles transformam a coisa em uma novela do Manoel Carlos.

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Outro defeito muito grande é o fato de apenas o personagem Pistoleiro, interpretado por Will Smith, ter destaque real em meio a tudo o que rola  Ele é o único da equipe onde realmente tem momentos grandes e para um filme que tem a palavra Esquadrão no título, isso é bem feio. Até mesmo Arlequina, que apesar da ótima atuação de Margot Robbie, não passa de uma coadjuvante de luxo, ela rouba a cena com certeza, mas ainda assim fica muito aquém do que foi prometido. O Coringa de Jared Leto é bem legal, macabro, com uma pegada meio v1d4 l0k4 e que chega até dar medo, pena que todo o hype colocado em cima do seu personagem tenha sido equivocado, pois ele não influencia diretamente em nenhum momento da história. Ou seja… irrelevante.

Há coisas boas no filme sim, não chegaria a usar a palavra RUIM para defini-lo. Como citei acima, Coringa e Arlequina são dois personagens bons e vê-los juntos é muito legal, justamente pela química entre seus intérpretes e todo o visual OSTENTAÇÃO que eles tem. A trilha sonora também é fantástica e funciona eficientemente nos momentos que aparecem. Isso sem falar que as atuações convencem, principalmente Viola Davis, que acaba sendo mais maquiavélica que os próprios vilões. Rainha é rainha, né? As cenas de ação também são bem feitas (apesar de serem basicamente tiroteios) e o filme dá bastante espaço para as piadinhas, que dão um clima de descontração e diversão, tornando-o, mesmo com todos os defeitos, uma diversão válida para ver no cinema e distrair um pouquinho do chefe reclamando, do ônibus parado no trânsito e dos textões de Facebook.

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É inegável que Esquadrão Suicida poderia ter sido muito melhor, apesar de não ser odiável também não acho que seja algo a ser idolatrado. Diria que a equipe apenas cumpriu a média para passar de ano, isso tem seu valor e tal, só que vai ter bronca dos pais quando chegar em casa. Queria muito ter saído da sessão fazendo igual o Papa beijando o chão aqui no Brasil, mas isso não aconteceu. Mesmo tendo me divertido um pouco, a sensação de desapontamento ainda tá batendo forte aqui no peito… e não está nada legal 🙁

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Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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