“Esta É A Sua Morte” diverte e ainda nos faz pensar um pouquinho.

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O público de hoje tornou-se apaixonado por assistir à degradação de outros na televisão e na internet. Eles desejam um argumento selvagem, uma luta sangrenta ou um escândalo publicitário e esta se tornou a principal fonte de entretenimento. Mas quando os limites parecem não poderem ser mais ultrapassados, o apresentador de um game show, Adam Rogers, decide quebrar as barreiras ao colocar no ar um novo programa, no qual os concorrentes arriscam suas vidas pela chance de ganhar dinheiro. Adam só ficará satisfeito se seu reality show for o #1 no ranking da audiência, e ele não vai parar por nada, mesmo que isso signifique perder sua humanidade.

Esta É A Sua Morte tem em seu elenco, nomes conhecidos como: Josh Duhamel (Transformers), Famke Janssen (X-Men), Sarah Wayne Callies (The Walking Dead) e Giancarlo Esposito (Breaking Bad e Better Call Saul). O filme traz à tona o pior do mundo do entretenimento e em meio ao caos da guerra pela audiência, os personagens exalam ganância, sede pelo poder,  sucesso, arrogância, irresponsabilidade e vaidade.

Adam Rogers, vivido por Josh Duhamel, sintetiza tudo de ruim que o ser humano pode projetar na busca pelo sucesso. Ele esteve realmente convincente no papel de apresentador de um reality show, completamente inconsequente, sem escrúpulos e com a desculpa de mostrar o quanto a vida é preciosa e como as pessoas deveriam valorizá-la. Porém, com objetivos bastante escusos, onde a audiência e o lucro seriam os objetivos finais.

Outra que se saiu bem foi Famke Janssen, que vive o papel de uma produtora tendenciosa, que concorda com tudo desde que os resultados sejam satisfatórios e coloquem o canal em primeiro lugar. Em meio ao paredão de ganância de alguns personagens, temos Sarah Wayne Callies, que conseguiu representar a ingenuidade que o ser humano pode manter, ainda que diante de muitas frustrações e fraquezas, capazes de nos fazerem sucumbir.  O personagem de Giancarlo Esposito é o último sopro de força e dignidade do ser humano, capaz de fugir e lutar contra a ganância e egoísmo que cercam a sociedade capitalista atual.

Percebemos que o bem e o mal foram representados de uma maneira até digna no decorrer da trama, porém, o formato engessado e robótico presente em grandes corporações empresariais prevaleceu. Não se sabe se propositalmente, ou por falha de desenvolvimento, porque aparentemente até os personagens que supostamente lutariam pela ética dentro do canal, não foram muito expressivos, o que nos faz refletir sobre a trama e fez parecer que quem esta dentro, não tem voz ou coragem necessária para lutar, que talvez apenas quem esta do lado de fora é capaz de enxergar o erro e nadar contra a maré, e mesmo assim, poucos se atrevem. É aí que a gente começa a pensar, será que seria tudo assim, automático e aceito ou tolerado por todos?

E se o filme era pra ser focado em mortes ou suicídios “assistidos”, nem todos tiveram o destaque necessário, era tudo muito rápido e automático, o foco foi sempre o mundo corporativo, na guerra pela audiência e na disputa de egos, em como o poder, fama e o sucesso, podem mudar as perspectivas e o comportamento das pessoas, até mesmo entre os próprios colegas de trabalho, tornando tudo um verdadeiro inferno de inconsequência e ambição, e isso o personagem de Josh Duhmel apresenta muito bem, a gente consegue acompanhar todas as mudanças dele ao longo da trama e fica se questionando, até onde o ser humano é capaz de ir após se corromper.

O que choca mesmo é isso, pensarmos se num futuro próximo, vamos nos render ao pior, participar direta ou indiretamente de reality shows onde a degradação humana seja o foco principal, apenas para satisfazer uma vontade mórbida por audiência, entretenimento e ego, sabe? Pra gente se acomodar e pensar que não estamos tão mal, afinal, alguém esta se sujeitando ao ápice do desespero enquanto assistimos, ainda que no fundo a gente não se dê conta, por sermos piores ainda, apenas por aceitar e permanecermos inertes, enquanto os outros se destroem e nós fazemos parte da massa, que aplaude e dá razão para muitos outros copiarem as mesmas ações.

Resumindo, Esta É A Sua Morte prende a atenção do público, por se empenhar em chocar com cenas fortes, e nos levar à diversas reflexões sobre a banalização da violência, ganância e a perda de valores morais. Mas falando em empenho, uma curiosidade sobre o filme, Giancarlo Esposito se empenhou tanto no filme, que participou da produção, direção e da atuação também, integrando o núcleo principal de atores do filme. Vale a pena conferir e tirar suas próprias conclusões, será que realmente vamos descer tão baixo à nível de entretenimento, ou já estamos embaixo?

Liliane Stoianov
Colaborador | Também do autor.

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.

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