“Fala Sério, Mãe!” é um filme ingênuo, bonito e divertido.

 

Fala Sério, Mãe! é adaptado do livro homônimo de Thalita Rebouças e conta a história de Ângela Cristina, mãe da adolescente Maria de Lourdes, que precisa lidar com as dificuldades e delícias de guiar sua filha durante uma das fases mais complicadas da vida. Ela vive uma montanha-russa de emoções, medos e frustrações, mas por outro lado, a filha Malu (como prefere ser chamada) também tem suas insatisfações.

A trama basicamente se passa dentro de um apartamento de uma família comum de classe média, com apenas algumas locações externas, então é fácil se identificar com muitas das situações apresentadas na telona. Apesar de ser uma comédia bem família, o filme narra todo o drama existente na trajetória entre mãe e filha, mostrando o amadurecimento de ambas, assim como excesso de zelo por parte da mãe, a rebeldia da adolescente, mas também o carinho, amor e cumplicidade entre ambas e a família.

Entre episódios constrangedores provocados pela mãe, e a difícil adaptação da adolescência, nós podemos perceber uma ótima química entre Ingrid Guimarães e Larissa Manoela, sem contar com todo o núcleo familiar,  que também parecia muito à vontade em seus papéis.

Trazendo dois pontos de vista diferentes, Fala Sério, Mãe! tem duas narrativas: a da mãe, que acompanha as primeiras fases da vida da filha, e depois a filha, que conta como é essa transição da adolescência para a vida adulta,  esse é o ponto que evidencia a originalidade da história. O filme  nos prende porque chama a atenção e deixa a gente se identificar com cada uma das suas personagens, já que o foco se concentra em uma de cada vez, podendo detalhar melhor as situações, fazendo com que a gente conheça e entenda melhor os personagens.

Fala Sério, Mãe! traz um clima inocente e família, que nos envolve e consegue até arrancar algumas lembranças da infância e adolescência. Ele evidencia o valor dos pais, relembra a importância do diálogo, da honestidade e de como é importante viver cada etapa da vida com intensidade e preservar as nossas origens. Trata-se de uma história leve, com toques de drama, muitos risos e saudosismo que paira sobre nós ao assistirmos, vale a pena acompanhar com a família, amigos ou até sozinho, é um filme ingênuo, bonito e divertido, como há muito tempo não se via em se tratando do cinema brasileiro.

Liliane Stoianov

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.