“Feito na América” é uma boa opção para quem procura entretenimento.

Baseado na vida de Barry Seal, um piloto que, na década de 1980, traficava armas para a CIA e drogas para o cartel de Medellín ao mesmo tempo. O título (original, American Made) refere-se a Mena, Arkansas, nos EUA, onde ocorriam várias atividades ilegais sob os narizes dos presidentes Ronald Reagan, George H.W. Bush e do então governador do Arkansas, Bill Clinton.

Tom Cruise, que parece ter encontrado há tempos sua zona de conforto em filmes policiais ou de ação, interpreta Barry Seal, um piloto comercial que acaba aceitando uma proposta de um representante da CIA, após ser descoberto traficando pequenas quantidades de charutos, é aí que o filme começa a mostrar as consequências da ganância e das decisões impensadas, não somente na vida dele, como na vida de toda família, amigos e empregados.

Outra que também teve um papel que não exigiu muito, foi Sarah Wright, que interpreta Lucy Seal, esposa de Cruise na trama, a típica americana dona de casa, apaixonada pelo marido e dedicada aos filhos, disposta a seguir o marido até as últimas consequências, apesar dos receios e pequenos rompantes de raiva. Com aparições repentinas e misteriosas, Domhnall Gleeson, interpreta o inescrupuloso agente da CIA, Monty Schafer, capaz de firmar acordos suspeitos e jogar qualquer um no meio do fogo cruzado, para conseguir destaque e promoção dentro da agência.

O filme tem todo aquele ar dos anos 80, desde os efeitos de câmera, do figurino, locações e trilha sonora, e falando nesses pontos mais “técnicos”, a fotografia do filme é realmente fantástica, mesmo que com o ar “oitentão”, ou seja, é tudo muito bem executado, o que deixou um pouco a desejar foi que em alguns pontos  o filme se arrastou, após a metade ele pareceu perder um pouco o foco, que foi retomado um pouco antes do final.

Com produtores de peso pesado como: Brian Oliver (Cisne Negro), Doug Davison (Os Infiltrados), e o ganhador do Oscar, Brian Gazer (Uma Mente Brilhante), o filme navega entre a ação, thriller, mas com algumas situações inusitadas, capazes de arrancar risos da platéias, e outra pitada exagerada de “aventura”, seguindo a narrativa de Seal, que pareceu viver situações surreais, típicas de cinema (ou não, né), onde se pode escapar de acusações graves, firmando acordos que deixariam a CIA, o FBI e as agências de segurança nacional, de cabelos em pé, e escapadas de mestre após perseguições aéreas, terminadas em pousos forçados em áreas urbanas!

O filme diverte e é capaz de entreter, difícil é convencer que apesar de “romantizado”, parte daquilo foi baseado na vida e nas peripécias de uma pessoa real. O negócio é entrar no cinema disposto a desconsiderar explicações racionais para toda aquela maluquice, afinal, como já diz o cartaz do filme “baseado em uma verdadeira mentira”, cabe ao telespectador apenas se entreter, porque o que podemos mesmo garantir nisso tudo é que, Tom Cruise fez questão de pilotar os aviões e dispensar qualquer efeito especial, tornando as filmagens de algumas cenas, um verdadeiro espetáculo!

Liliane Stoianov

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.