”FEUD” é mais um grande acerto de Ryan Murphy.

Browse By

Se no catálogo de antologias de Ryan Murphy a ordem de classificação for “indicados para você” até o algoritmo de seleção teria duvidas entre qual viria primeiro: “American Crime Story: The People V. O.J. Simpson” ou “Feud”. Nesta minissérie de oito episódios, é narrada com perfeição dramática, visual e performática uma das famosas histórias de rixa em Hollywood entre Bette Davis e Joan Crawford. Trazendo Jessica Lange (Joan Crawford) para mais um de seus projetos, para contracenar com Susan Sarandon (Bette Davis), com participações de Alfred Molina, Stanley Tucci, Catherine Zeta-JonesSarah Paulson e Kathy Bates, Murphy brinca com sua capacidade de observar pessoas e celebridades de dentro do mundo em que vive, para incitar clichês de vaidade e superioridade no mundo artístico, criando intervenções para desmistificar o showbiz e mostrar sua crueza ao público, mas sem querer tirar totalmente sua magia que parece mais viva somente quando a câmera para de rodar no corte para o preto.

Aqui o escritor, diretor e produtor de sucesso, testa sua capacidade de manter o interesse de quem assiste para com uma história que poderia ser abordada por um viés datado e novelístico que não encontraria espaço na televisão contemporânea que busca trazer. No entanto, é exatamente neste ponto que Ryan Murphy encontra faíscas de problemas sociais – seja na sociedade como um todo ou na cidade de Los Angeles – para estudar suas personagens e o ambiente em que se encontram, buscando encontrar o momento em que tudo começou e como terminou, mesmo que a ênfase esteja nas entrelinhas que os jornais não estavam interessados em vender.

Durante a abertura de cada episódio já é possível ver para onde a história vai e como vai terminar. Claro que o final já é previsível. Não por culpa narrativa, mas sim por culpa da história. O contraste entre as cores e a expressividade dos traçõs duros que caracterizam as personagens, os significados entre um cigarro que despeja prêmios e a forma como os corações se partem e se curam novamente, e as lágrimas que foram despejadas em segredo, tudo por uma inimizade vaidosa, mas que não era mais do que necessária para que se mantivesse relevância. É com sombras maquiadas e performances mantidas por manipulação, que Hollywood e a ambição estragaram a carreira de duas estrelas.

Então, nos permitindo reimaginar grandes atores e atrizes, diretores, jornalistas e produtores de estúdio, “Feud” trata a indústria do cinema como a selva plastificada que muitos alegam ser. Se uma nomeação ao Oscar não salva atrizes mais velhas de caírem no esquecimento, e um acerto não é o suficiente para saciar a vontade daqueles que almejam por dinheiro, uma excelente temporada também não basta para quem tiver a sorte de terminar “Feud”.

Vinícius Soares
Colaborador | Também do autor.

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto

>