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Filmes que te levam até o ESPAÇO

Não temos certeza se o homem já pisou na Lua de verdade, mas no universo cinematográfico já a exploramos comercialmente, vivemos em uma colônia espacial e até viajamos em buracos de minhoca. É basicamente desde sempre que a humanidade sonha com o espaço, seja nas referências em culturas antigas, que podem ser interpretadas como criaturas espaciais, a ideia de que os deuses eram viajantes do espaço ou mesmo a enorme quantidade de representações do Universo na literatura e no cinema. A sétima arte é, inclusive, uma das principais maneiras encontradas pela humanidade para dar vazão à nossa curiosidade a respeito do que se passa em outros cantos do Cosmos. No gênero de ficção científica temos muitos filmes que se desenrolam no espaço, seja com uma abordagem fantasiosa ou tentando ser mais realista.

Se pararmos para pensar que isso começou com um dos percussores do cinema, o ilusionista George Méliès, trazendo em 1902 sua produção Le Voyage Dans La Lune (Viagem à Lua), um curta de 14 minutos sobre uma expedição formada por corajosos homens que vão para o satélite da Terra, onde encontra seres nada amistosos, são capturados e devem fugir para retornar ao nosso planeta. Um filme que tem 114 anos e é um pioneiro do gênero de ficção. Mas hoje em dia, não é nada difícil encontrar filmes que ainda retratam isso de maneira primorosa, seja na ação, na comédia, no drama ou em um misto de tudo isso. Eu sempre fui fascinada por tudo relacionada ao espaço e à sua exploração e se você é fã do gênero assim como eu, é bem provável que tenha um interesse especial por esse nicho cinematográfico em que a humanidade deixa a Terra para explorar o espaço. Então, nós preparamos uma lista com 10 filmes imperdíveis quando o assunto é viagens e aventuras espaciais.

Prepare-se para a decolagem!

Gravidade

Vamos começar com Gravidade, eu confesso que estava com um pouco de preconceito quando fui assistir a esse filme no cinema, mas entrei na sessão de coração aberto e acabei me surpreendendo. Não com o roteiro, de fato, o drama pessoal não consegue convencer muito, mas não prejudica o envolvimento com o filme que é tecnicamente impecável, tanto que recebeu 10 indicações ao Oscar de 2014 e levou 7 estatuetas, sendo em sua maioria categorias técnicas como Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Mixagem e Edição de Som, Melhor Trilha Sonora e Melhor Diretor. E olha, merecido pela experiência sensorial que esse filme te proporciona. Dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón e roteirizado por ele em parceria com o seu irmão Jonás Cuarón, o filme fez grande sucesso por apresentar um viés supostamente realista e fiel aos fatos. Na história, vemos a sufocante aventura de uma engenheira médica interpretada por Sandra Bullock, que fica perdida no espaço após um acidente em sua primeira missão especial. Além de sentir na pele o que a personagem de Bullock sente, o filme é um retrato extremamente fiel à vida em órbita – salvo alguns detalhes que foram “maquiados” pra intensificar o drama, claro. Mas o visual criado por Cuarón emociona e transmite um pouco da noção da imensidão do universo, mostrando como a existência humana fora da Terra está sempre por um fio. Chega a ser assustador como tudo aquilo parece ser de verdade. É um espetáculo visual, esteticamente incrível e foi a maior experiência sensorial que eu já tive em uma sala de cinema, saí da sessão com as pernas bambas. É realmente um filme que consegue te levar pro espaço e até te deixar esquecido lá.

OBS.: Imagina para renderizar os efeitos daqueles planos sequências enormes de Gravidade quanto tempo não demorou? Coitado dos editores e montadores do filme.

Alien

Primeiramente eu gostaria de agradecer ao profissionalismo da Sigourney Weaver por, diferentemente de c E r T o S atores e atrizes, não ter abandonado a franquia na metade por motivos financeiros ou de ego. Segundamente, gostaria de deixar minha admiração pela ideia toda dessa franquia. Mas vamos falar do primeiro filme, Alien – O Oitavo Passageiro de 1979 foi a estréia de Ridley Scott na direção e acompanha a nave espacial rebocadora Nostromo, cujo curso é alterado após receber uma transmissão desconhecida em um planetóide. Lá, um dos tripulantes é infectado por uma criatura extraterrestre, antes de voltar à nave. A partir daí, o caos é instaurado e só a subtenente Ripley consegue sobreviver à fúria implacável do alienígena. Pautado pelo suspense, o filme levou o Oscar de Efeitos Especiais e rendeu outros cinco filmes, gerando uma lucrativa franquia de livros, quadrinhos e brinquedos, etc e tal. O fato é que Ridley Scott tirou leite de pedra e criou uma das obras mais importantes da história do cinema, principalmente poer ser um formidável exercício de tensão e terror sci-fi, num clássico absoluto.

2001
Parem as máquinas! O ano de 1968 trouxe ao mundo um dos principais marcos do cinema de ficção cientifica. 2001 é uma das maiores obras-primas de Stanley Kubrick e ousaria dizer que de toda a história do cinema. Com uma produção incrível que rendeu quatro indicações ao Oscar, o filme é um marco do cinema tanto por seu aspecto técnico impecável quanto pela trilha sonora marcante. Vocês podem reparar, tirando as sequencias em que rola a trilha sonora do filme, não há som nas cenas “em órbita” já que, tecnicamente, não existe reprodução de som no espaço – esperto Mr. Kubrick, não? Ele contratou mais de 50 especialistas de organizações espaciais para trabalharem de consultores em toda a produção do filme. E vale relembrar que, um ano após o lançamento do filme, o homem pisou na lua pela primeira vez – ou supostamente pisou, para alguns.

Na obra, vemos um apanhado geral da evolução da espécie humana desde a aurora do Homem até a concepção da inteligência artificial e a exploração espacial. A história do filme é dividida em quatro grandes partes, sendo o fio central entre elas a presença de um monólito que transpassa toda a história da humanidade descrita na tela. Esse é um filme que precisamos nos controlar para não escrever um livro sobre ele, a perfeição estética até hoje é de cair o queixo, sem falar da filosofia empregada e das cenas emblemáticas que estão entre as mais belas do cinema, ricas em interpretações. É um filme obrigatório para os que gostam do tema. Aliás, muito da tecnologia inovadora que a obra mostra acabou se tornando realidade, como a ligação com vídeo, espaço naves com motores nucleares e computadores assistentes pessoais, não é mesmo, Siri?

Solaris
A Corrida Espacial entre Estados Unidos e União Soviética não se deu apenas no envio de satélites e astronautas para o espaço, mas também teve a sua face cinematográfica. Considerado o contraponto soviético de 2001, o filme Solaris de Andrei Tarkovski, é encarado como uma resposta para a odisséia no espaço de Kubrick. Esse filme estreou em 1972 e é baseado no romance homônimo do polonês Stanislaw Lem, de 1961. Na trama, um psiquiatra, Donatas Banionis, é enviado à estação espacial que orbita o aquoso planeta Solaris para tentar descobrir o que levou sua tripulação à loucura. No decorrer da história, ele percebe os poderoes telepáticos do planeta, capaz de penetrar profundamente na psique humana. Falado em russo e alemão, é tido hoje como um dos grandes clássicos “cult” da ficção cientifica e o sucesso estrondoso fez com que Solaris permanecesse em cartaz na União Soviética durante 15 (FUCKING) anos in-in-ter-rup-tos e ganhasse até mesmo uma refilmagem em Hollywood – o Solaris, de 2002, dirigido por Steven Soderberg.

A Outra Terra

A Outra Terra está nessa lista por motivo especial, ele não é um filme que se passa realmente fora da nossa órbita, pelo menos, não fisicamente… O filme trabalha mais com esse nosso lado psicológico e sonhador de descobrir o que tem “lá fora”.  É um sci-fi de fachada para um roteiro que se revela um drama profundo e reflexivo. O filme começa na noite em que a humanidade toma conhecimento da existência da tal outra Terra e a estudante de astrofísica Rhoda Williams, Brit Marling, dirige seu carro pela orla de New Haven. Com os olhos voltados para o pequeno ponto azul no céu, ela não percebe outro carro parado à sua frente… E bate. O acidente causado por Rhoda tira a vida da esposa grávida e do filho do compositor John Burroughs, William Mapother. Quatro anos depois, quando sai da prisão, Rhoda descobre que a outra Terra está maior, mais azul e mais brilhante – e que é, na verdade, uma versão espelhada do nosso planeta. *BOOM*

O roteiro escrito pela própria Brit Marling, basicamente torna literal o conceito de “segunda chance”. Realidades alternativas e paralelas de um “outro eu”, onde existem escolhas nas duas realidades que continuam a acontecer simultaneamente. É uma verdadeira metáfora, um mergulho em nós mesmos. A Outra Terra é como um espelho, que reflete quem queríamos ser, como gostaríamos de nos enxergar, como fugir dos sofrimentos, das frustrações. E algumas questões são levantadas, por exemplo, e se numa realidade paralela nossas escolhas tiverem sido acertadas? Ou melhores? Ou nos levasse para outro caminho totalmente diferente do nosso de agora? O que você diria para você mesmo caso se encontrasse? Confuso. Mas isso é um dos recortes que dá para fazer desse filme: a vergonha diante de si próprio.

Interestelar

O tempo da Terra está chegando ao fim. Com isso, um time de exploradores partem numa missão que pode salvar toda a humanidade: viajar além desta galáxia, através de um buraco negro recém-descoberto, para descobrir se a raça humana pode ter um futuro. A obra, roteirizada por Christopher Nolan junto de seu irmão Jonathan Nolan, trata de temas pesados da astrofísica, o que dividiu a crítica, mas fez grande sucesso. No filme, vemos o planeta Terra só o pó da rabiola e uma única esperança de salvá-lo. Então, o ex-piloto da NASA, Matthew McConaughey, parte em busca de um buraco de minhoca que pode levar a outros planetas e, com isso, dar uma chance de salvar a existência da vida humana por aqui. A densidade dos temas tratados por Interestelar geraram controvérsias, mas o filme funciona perfeitamente bem como uma aventura primorosa pelo espaço. As representações do Universo dadas por aqui são incríveis, o roteiro é bem amarrado e as atuações são marcantes. O filme recebeu cinco indicações ao Oscar e venceu apenas em uma categoria — melhores efeitos visuais.

O assunto buracos negros é uma coisa que me assusta e a existência deles já está mais que comprovada. O que não sabemos é se caso entrarmos em um teremos o controle do tempo como o Matthew McConaughey tem no filme. Alguém aí se habilita?

Perdido em Marte

A trama acompanha a história de um astronauta que se perde de sua nave e é dado como morto durante uma expedição desastrosa em Marte. Acontece que o cara sobreviveu e precisou encontrar uma maneira de se manter vivo até conseguir ser resgato. Com Matt Damon e Jessica Chastain no elenco, o filme dirigido por Ridley Scott (olha ele aqui na nossa lista de novo) é uma mistura de comédia, aventura e sci-fi divertida e a trilha sonora é outro show a parte da produção, com diversos clássicos de funk e disco das décadas de 70 e 80.

Jason X

Ok, calma! Não precisam fechar a janela sem ver todos os outros filmes lembrados aqui, só porque chegou nesse e não concorda. Jason X é um exemplar diferenciado na franquia Sexta-feira 13. É quase como se o roteiro tivesse a intenção de ser uma espécie de refilmagem de Alien, O Oitavo Passageiro, porém com um roteiro bizarro, sem pé e nem cabeça, boas mortes e altamente divertido. A diferença mais sem noção é que nosso assassino favorito deixa a ilustre machete de lado para realmente lutar com alguns dos personagens. Sem dúvidas, é uma das obras que se passam no espaço mais bizarras que já assisti. O filme em si tem um enredo com diálogos horríveis, uma storyline pior ainda, mas é por isso mesmo que é um dos melhores.  Aliás, o que David Cronenberg tinha na cabeça quando resolveu dar uma ponta nesse filme com uma das vítimas do mascarado do facão? Não sei, mas se fosse eu, aceitaria também!

Lunar

Só de pensar em ficar sozinho durante três anos na Lua já é de arrepiar. Essa é a premissa do longa estrelado por Sam Rockwell. Um filme modesto que não fez tanto barulho, Lunar é sem dúvida um dos títulos mais interessantes já feitos até hoje sobre exploração espacial. O filme é dirigido por Duncan Jones (#curiosidades #trivias: Dunan é filho do David Bowie) e roteirizado por eles mesmo em parceria com Nathan Parker. Na história temos a vida de Sam Bell como responsável pelas operações de mineração na Lua da empresa Lunar Industries. Tudo vai bem na vida de Bell até que ele sofre um acidente e, ao despertar, descobre que está na companhia de um sujeito que diz ser o próprio Sam Bell. *BOOM*

Esse é outro filme que deixa um pouco de lado as aventuras espaciais e problemas técnico pra tratar da solidão e de questões existenciais. Óbvio que, ao usar uma missão espacial e a Lua como cenário, tudo fica muito mais intenso e fantástico.  O roteiro é bem construído e vai incrementando o clima de suspense e tensão aos poucos, mostrando as conseqüências psíquicas que esse longe período de isolamento no espaço pode causar à um astronauta, e foi justamente nesse ponto da história que gerou curiosidade da NASA, fazendo com que ela exibisse uma sessão especial do filme para todos os seus funcionários. Este é um daqueles filmes para se deliciar sem pressa e com a cabeça, literalmente, na lua.

BÔNUS

 

Mochileiro

DON’T PANIC! Comparar livro VS. filme é sempre chato (e desagradável) pelo fato de serem duas mídias diferentes que tem modos distintos de linguagem para se contar uma história, mas também acaba sendo inevitável… Principalmente quando falamos de uma obra tão querida, improvável e cheia de personalidade como a de Douglas Adams. A saga do Guia do Mochileiro é uma das minhas preferidas e isso me fez muito ansiosa para ver o filme. Mas uma coisa é certa, o filme está bem inserido no universo maluco do autor – respeita a obra e é, claramente, uma declaração de amor a tudo que os livros representam. Porém, é também um filme vazio quando analisado de forma individual. A narração em off até ajuda a resgatar um pouco da ~legalzisse~ do livro, mas não é o suficiente para salvar o filme, que falha ao deixar algumas situações relativamente bobas – bem ao contrário do livro que é sempre irônico e reflexivo por mais idiota e absurdo que possa parecer. O que eu quero dizer é que se você leu os livros, o filme é lindo, engraçadíssimo, inteligente e cheio de autorreferência, mas se você não leu… humm, daí tudo fica mais bobinho mas até que pode ser divertido.

Então pegue sua toalha, não entre em pânico e dê “espaço” para todos esses filmes na sua lista 😉


Jessica Crusco
Colaborador | | Também do autor.

Jessica Crusco é formada em RTV, pós graduada em cinema, mestra em bad vibes e doutora em problematizar. Frustrada por saber que não irá conseguir assistir todos os filmes de sua lista de 'quero ver' antes de morrer.

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