Fome de Poder (Crítica)

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Chegando ao cinema eu nem imaginava o que me esperava naquela telona, por ser uma história que julgamos “conhecida”, não achei que ela fosse tão surpreendente, com bastante drama e toques pontuais de humor, acabamos por nos envolver.

Fome de Poder retrata a trajetória de uma empresa conhecida por milhões de pessoas pelo mundo, cuja história não parecia tão chocante assim, ali na tela ela nos brindou com personagens ingênuos e outros astutos, que nos fazem refletir e abrir os olhos quanto ao mundo empresarial, é dentro desse pensamento e perspectiva que o filme entra para nos empolgar mediante ao empreendedorismo, criatividade, originalidade, e determinação de dois irmãos (vividos por John Carroll Lynch, no papel de Mac Mcdonald, e Nick Offerman, como Dick Mcdonald), que ao transformarem a dinâmica de uma lanchonete – que mais tarde se tornaria o maior e mais conhecido nome no que diz respeito a fast food –  desenvolveram um conceito novo dentro da cozinha, no qual a organização maravilhou seus clientes e deixou os dois irmãos muito à frente do seu tempo, tendo para transformar suas vidas para sempre, mas não exatamente da maneira como eles esperavam.

Nesse contexto, não foi só pelos personagens cativantes, ingênuos, autênticos, e quase que interioranos, como os irmãos Mcdonald, que o filme nos chamou a atenção. A história segue nos mostrando um outro personagem intenso e crucial, Ray Kroc, vivido por Michael Keaton, um vendedor cheio de ideias revolucionárias e bastante persistente, capaz de nos fazer querer ter toda aquela força de vontade e persistência, e ser um pouco como ele, por conta de sua determinação. Kroc entra para dar aquela apimentada na trama, trazendo um pouco de dinâmica à história, pois ao perceber o excelente e inovador esquema dos dois irmãos, ele decidiu mexer com o negócio e quis unir-se a eles, para então, transformar a lanchonete local em um negócio expandido, que logo depois se tornaria o gigante império alimentício dos últimos tempos, nada mais e nada menos que o McDonald’s.

Óbvio que nada nessa vida é tão fácil ou tão bonito, conforme o tempo passou, alguns percalços, desentendimentos e conceitos diferentes, acabaram por transformar a história, os personagens e também o negócio da família. Divergências entre priorizar os produtos frescos, como era a preferência dos irmãos, e priorizar os produtos industrializados, como preferia Kroc, foram o estopim de uma batalha que tirou pouco a pouco os irmãos do negócio, transformando nossa visão sobre aquele vendedor determinado, vivido por Keaton, e é então que conseguimos enxergar alguém que não seria um simples vendedor persistente e idealista, mas alguém voraz e ganancioso, que não mediria esforços para conseguir o que queria.

Enfim, essa é uma história marcante, com altos e baixos, ideias inovadoras, personagens carismáticos e até cruéis, que vale muito à pena acompanhar; não somente por nos dar a oportunidade de acompanhar o crescimento de uma empresa tão presente no cotidiano de tantas capitais mundo afora, mas também devido as excelentes e antagônicas atuações de Michael Keaton, John Carroll e Nick Offerman, que roubaram a cena, trouxeram veracidade e emoção para essa história que retrata muito bem o mundo dos negócios, afinal, persistência, originalidade e ambição, são mesmo a peça chave do sucesso, desde que venham em doses balanceadas, equilibradas… assim como a fome e o poder.

Liliane Stoianov
Colaborador | Também do autor.

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.

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