Fragmentado (Crítica)

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Fragmentado conta a história de um rapaz com 23 personalidades e é só isso que vocês precisam saber. Dirigido por M. Night Shyamalan (O Sexto Sentido, A Vila), esse é um suspense cuja história tem um nível de tensão absurdo e qualquer detalhe a mais que seja dito, pode arruinar completamente a experiência de assisti-lo. Dando um verdadeiro show na montagem de clima e nos apresentando protagonistas instigantes, não tenho dúvida alguma de que esse tenha sido um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos.

Se a trama por si só já não seria interessante, tudo ganha um TCHAN a mais devido a impecável atuação de James McAvoy (X-Men), que nos desperta inúmeras sensações. As personalidades de Kevin variam a cada minuto da história e meus amigos…  fiquei assustado com a habilidade que esse cara tem. Seus trejeitos, entonação de voz, expressões corporais, são dignas de reconhecimento e confesso que fiquei apavorado toda vez que ele entrava em cena. O maluco entrou no personagem de uma forma que nos hipnotiza, chega a dar aflição ver suas mudanças e toda a psicologia por trás do personagem nos instiga demais. É uma coisa que já foi comprovada a existência e duvido que você não vai querer pesquisar mais sobre esse transtorno depois de assistir Fragmentado.

M.Night Shyamalan desenvolveu a história de Kevin por 17 anos e o seu empenho para criar uma trama crível, coesa e um clima constante de tensão é nítido. A imprevisibilidade do roteiro vai contra tudo o que estamos acostumados e isso nos ajuda muito na imersão, é muito difícil desgrudar os olhos da tela e isso eleva demais o nível do filme. Fragmentado é um suspense psicológico diferente de tudo o que já assistimos e nos assusta justamente por seu protagonista/vilão ser tão incomum do que vemos por aí; ele é um ser humano e ao meu ver não tem nada mais surpreendente e assustador do que a mente das pessoas. Shyamalan consegue captar esse mistério e usa e abusa de cenas que causam certo desconforto mental, afinal, não é necessário litros de sangue ou fantasmas para nos causar medo, essa curiosidade em torno do desconhecido é o verdadeiro mérito da trama e confesso que quando o filme chegou no final eu estava até cansado. O silêncio após o fim da sessão confirmou que a galera sentiu o mesmo que eu e isso foi… com o perdão da palavra, foda!

Junto de McAvoy, temos a MARAVILHOSA atriz Anya Taylor Joy (A Bruxa) que para mim é uma das melhores atrizes dessa geração. Seu papel é tão denso quanto o de seu parceiro de tela e quando eles estão juntos é um verdadeiro choque de monstro. Reparem em uma das primeiras cenas onde ela conversa com uma das personalidades de Kevin, a química entre os dois é palpável e o silêncio que imperou nela me causou arrepios. É uma coisa fantástica de se ver, ou melhor, sentir. Fragmentado é uma experiência imersiva e se posso fazer um apelo, evitem de assisti-lo em horários que imperam de gente fazendo gracinha. Seria um verdadeiro desperdício com as sensações que ele nos causa e garanto que você nunca mais esquecerá dessa história. PRINCIPALMENTE DO FINAL, se você acompanha a carreira do diretor 😉

Fragmentado é um filme que vale MUITO a pena ser visto. Inteligente, criativo, dinâmico, assustador, divertido, imersivo, instigante, tenso, interessante, memorável, fascinante, SURPREENDENTE, admirável, comovente, imprevisível, inesperado, atordoante, perturbador, chocante, agoniante, original, genial, e mais do que qualquer coisa: inesquecível.  Com esses 23 adjetivos, não tenho dúvidas de que ele entrou para os meus favoritos da vida, é tanta tensão que faz o corpo até doer e adoraria esquecer de tudo isso só para ter as mesmas sensações novamente.

 

Nós estivemos presentes na coletiva de imprensa com M. Night Shyamalan e o fotógrafo Leandro Demerov, que faz parte dos nossos amigos do Cinematecando, nos concedeu essa foto do diretor durante o evento. OBRIGADO <3


Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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