A Garota no Trem (Crítica)

Browse By

Saindo da mesma fornada que o maravilhoso Garota Exemplar, com uma história cheia de reviravoltas, personagens nada corretos e um mistério cabuloso a ser resolvido, A Garota no Trem é a adaptação do livro de estreia da escritora Paula Hawkins, um best seller que ficou por várias semanas na lista dos mais vendidos e conquistou a galera que curte tramas de suspense.

Por ser alucinado pelo gênero, obviamente meu radar do consumismo começou a dar uma louca e impulsionado pelas ótimas críticas em torno da obra, tratei rapidamente de ir atrás dessa famosa garota no trem. Como diz o poeta, crie gado mas não crie expectativas. Resumindo, apesar de ser um suspense deveras bem escrito, eu peguei uma antipatia gigantesca pelos personagens e isso me distanciou MUITO da história, tornando a leitura bem maçante e não vendo a hora daquilo tudo acabar. Restava apenas segurar na mão de Deus e esperar a adaptação sair, afinal, são mídias diferentes com resultados distintos que podem se complementar.

Emily Blunt - A Garota no Trem - Academia do Sofá

Na história acompanhamos Rachel Watson, uma moça alcoólatra e solitária que tomou um pé na bunda do marido e é obcecada em observar de dentro do trem (que pega todos os dias) a vida de um casal feliz e apaixonado. Após ver uma cena que mexe com o seu psicológico, a menina que ela avistava diariamente desaparece, fazendo a dondoca sair em busca da verdade sobre o ocorrido e se envolvendo em um caso que vai fazer não só a sua vida em risco, mas também torná-la uma das principais suspeitas.

Haley Benett - A Garota no Trem - Academia do Sofá

Protagonizado pela maravilhosa Emily Blunt, em uma ótima atuação por sinal, confesso que me envolvi um pouco mais com essa versão cinematográfica; achei que para mim ela funcionou melhor visualmente e somado com uma fotografia e trilha sonora que somam com o suspense da trama, tornam A Garota no Trem um filme legal de se acompanhar. Ele tem uma narrativa montada como um quebra cabeça e alterna entre as visões dos personagens e datas, misturando os fatos e nos envolvendo com um baita climão gostoso de mistério que é perfeito para aquela noite chuvosa debaixo das cobertas.

Luke Evans e Haley Bennett - A Garota no Trem - Academia do Sofá

Porém, assim como no livro, a minha antipatia pelos personagens ainda persistiu. Mesmo sendo interessante esse conceito de ‘ninguém é bonzinho’, acho muito difícil se afeiçoar a eles e isso tira alguns pontos da média, afinal, se tratando não só de cinema, mas também de uma trama de investigação, o envolvimento com eles é mais do que obrigatório. Chega a ser irritante termos como protagonista uma pessoa que está sempre infeliz e insiste em cometer sempre os mesmos erros, isso tira muito do vínculo com a Rachel e a vontade é de dar uma chinelada na bunda dela e falar: ‘VAI AGORA PRO CANTINHO DO PENSAMENTO!’

Isso sem falar nos coadjuvantes, que estão ali sem muito aprofundamento e se tornam apenas velhos adjetivos e clichês das tramas do tipo. Tem o corno, tem a moça infeliz, o marido perfeito, a policial brava… todos estão ali apenas para ser o que são e isso para uma trama cujo a qualquer momento uma reviravolta pode ser esfregada na nossa cara, deixa muito a desejar. Afinal, conhecermos eles e acompanharmos suas mudanças aos poucos, ficar em dúvida e analisar os fatos é o que causa o impacto, quando ele surge do nada tira um pouco da graça que poderia ter, concordam comigo? Em alguns casos a jornada vale mais do que chegar ao destino e isso vale muito aqui.

A Garota no Trem - Academia do Sofá

No final de tudo, fica a sensação de que A Garota no Trem é um daqueles típicos suspenses de fim de noite, bem a cara do Supercine, saca? É um prato cheio para quem gosta de investigação e o famoso ‘quem matou?’, mas tenho certeza que se ele fosse um projeto de TCC e o apresentassem para o professor, a resposta seria: ‘A ideia é ótima, tem muita coisa boa aqui no meio, mas circulei em vermelho tudo o que pode ser melhorado para a próxima semana’. É sim um filme interessante, é legal de assistir e tem todos os elementos que fazem um bom suspense, mas que podia ter um desenvolvimento melhor de seus personagens para que suas surpresas fossem maiores, ahhhh.. isso não dá para negar 😉

3 estrelas

 

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

>