A Grande Muralha (Crítica)

Ao assistir A Grande Muralha, tive a impressão de ter faltado algo ou de já ter visto aquela história outras vezes. O filme tinha o potencial de se tornar um clássico fora de sua imensa muralha, como O Clã das Adagas Voadoras ou O Tigre e o Dragão, mas não passa de uma aventura cheia de efeitos especiais, com atuações medianas e roteiro fraco, para abocanhar um montante de dinheiro em solo americano (algo que honestamente não creio que irá se concretizar), apenas por trazer um grande astro de Hollywood em seu elenco, Matt Damon, que até se esforça e mostra um novo tipo de personagem em seu currículo, um arqueiro, mas o filme não permite que o avanço seja assim algo tão significativo.

A história se passa em meados do século XV, na grande muralha da China, na qual foi construída para separar os humanos de uma espécie de mostro e deter essa forma de vida para que a raça humana não seja extinta. Essa guerra pode ser vencida com a chegada de dois homens brancos recém chegados no local, que mesmo com outros planos em vista, pretendem ajudar os orientais na vitória. Pronto, com a premissa do filme em mãos, não resta mais nada a não ser assistir a quase duas horas de filme e esperar algo novo ou algo que não seja tão óbvio, coisa que infelizmente o filme não entrega.

Com um elenco de sua maioria orientais, como era de se esperar, o filme recebeu um muitas críticas por trazer em seu personagem principal um caucasiano, vivido por Matt Damon, que mostra Hollywood colocando um dos seus para roubar a cena, algo típico de uma produção vinda da terra do Tio Sam. O elenco ainda conta com o excelente Willem Dafoe (infelizmente com um personagem que não faz jus aos seus trabalhos anteriores), o chileno Pedro Pascal (que vem crescendo em Hollywood depois de sua participação em Game Of Thones) e a chinesinha mais amada no momento Jing Tian, que já está confirmada com Círculo de Fogo 2, Kong: Skull Island e vem sendo uma das principais apostas a viver a heroína Mulan no filme live action da Disney).

Em certos momentos, A Grande Muralha até consegue fazer uma ilusão aos clássicos de luta citados, como na apresentação da primeira batalha mostrada, com piruetas e todas aquelas saltos que estamos acostumados a ver nos filmes orientais do gênero (que por sinal faz a última cair por terra – uma das coisas mais desagradáveis), mas se perde no roteiro ao correr sem se preocupar com a história dos personagens (um dos casos é o personagem vivido por Willem Dafoe), deixando a história meio crua, o que não causa uma simpatia pelas pessoas que estão ali.

Alguns pontos positivos são os efeitos especiais, que são de qualidade. O designe dos monstros não é excepcional ou não nos remete aos contos chineses, mas são muito bem feitos e não há nada que desqualifique o resultado da produção nesse quesito. Os figurinos também podem agradar, lembram um pouco os novos uniformes dos Power Rangers (risos), mas são bem trabalhados e dão um tom mais colorido ao filme.

Pelo que podemos perceber, os filmes americanos estão se rendendo cada vez mais as tramas orientais, onde boa parte da arrecadação mundial em bilheteria está localizada, fazendo com que o cinema abra espaço para os ambientes situados principalmente na China (onde é a maior fatia fora dos EUA) e tenha uma abrangência maior, algo que possivelmente A Grande Muralha irá alcançar, como já mostrado no seu desempenho de abertura no país. Só que neste caso, não será nada a mais do que isso.

Thiago Martins

29 anos, formado em Administração, atualmente estudante de Arquitetura e Urbanismo e só Deus sabe qual será a terceira. Apaixonado por filmes, séries, livros, HQs e tudo mais que me leve para outro mundo. Sofro de Coulrofobia (medo de palhaço) e seres rastejantes. Espero um dia ver todos os livros que gosto, retratados em bons filmes. Como um bom nerd, sonho em conhecer o Stan Lee.

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