“A Guerra dos Sexos” é um filme sobre igualdade e respeito.

Na sequência da revolução sexual e do surgimento do movimento feminista, a partida de tênis de 1973 entre a campeã mundial feminina Billie Jean King (Emma Stone) e o ex-campeão dos homens Bobby Riggs (Steve Carell) foi divulgada como A Guerra dos Sexos e se tornou um dos eventos esportivos televisionados mais vistos de todos os tempos, chegando a 90 milhões de telespectadores em todo o mundo. À medida em que a rivalidade entre King e Riggs aumentava fora de campo, cada um enfrentava batalhas mais pessoais e complexas. Juntos, Billie e Bobby apresentaram um espetáculo cultural que ressoou muito além da quadra de tênis, provocando discussões em quartos e salas de reuniões que continuam a reverberar hoje.

O filme segue uma temática bastante atual, onde a importância da mulher na sociedade e na área profissional é evidenciada, e também aborda as problemáticas relações entre os gêneros, seguindo um tom emblemático e por vezes ate poético/sonhador em relações as lutas travadas em prol da igualdade, respeito, empatia e bandeiras LGBT.

Os personagens principais conseguem transmitir veracidade e Emma Stone, nos brinda com um show de interpretação, muito sagaz e inserida na personagem, assim como Steve Carell, que conseguiu imprimir um tom debochado e por vezes, causando até um pouco de ranço da platéia; mas, com um olhar mais atento, podemos enxergar as diversas facetas e sentimentos que a história tenta nos passar, sentimentos reais como a fragilidade, frustração, persistência, esperança e força. Outros destaques ficaram por conta do figurino, que também esteve muito de acordo com a temática e proposta do filme, sem contar na trilha sonora emocionante, que conseguiu seguir o tom e envolver de maneira agradável e emocionante.

Mas nem tudo são flores… Apesar de toda a temática e reflexão, podemos notar que o filme acaba tentando não pender muito para um lado ou para o outro, é visível o esforço do diretor ao tentar imprimir diversas facetas em tantos personagens que o filme tenta evidenciar, e são tantas situações e problemáticas abordadas, desde homofobia, feminismo, machismo, igualdade salarial, sexualidade, respeito e etc, que a profundidade necessária para se entender a relevância de cada tema e cada questão, acabou um pouco perdida ou até um pouco rasa, o que também tirou um pouco a coesão da história. Seria bem complicado alcançar tal profundidade e coesão com o tempo limitado e prioridades necessárias, para se editar e transformar a história em algo que tenha espaço nas telonas, mas a tentativa com certeza foi válida e ainda podemos aproveitar o gancho e sair do cinema com um olhar um pouco mais crítico em relação a sociedade atual.

A gente pode dizer que, embora muitas questões não tenham sido devidamente exploradas, ainda assim o filme traz importantes reflexões e pode nos faz enxergar como é importante nos posicionarmos diante da desigualdade e do preconceito, o quanto é importante exercitarmos a empatia, pois se conseguirmos nos colocar no lugar do outro, saberemos compreendê-lo melhor, e ainda que não o entendamos poderemos respeitar a ajudar, pois como todos sabemos, a união sempre faz a força!

Espero sinceramente que A Guerra dos Sexos não sirva apenas como gerador de textões e militância de internet, mas que ele nos ajude pelo menos um pouco, a buscar real entendimento das questões abordadas, e que não seja aquela emoção momentânea, rasa, que se dissipa no próximo baphão de alguma celebridade.

 

Liliane Stoianov

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.

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