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Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (Crítica)

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Eu nunca achei que um dia fossemos presenciar uma nova história da série Harry Potter. Quando a peça teatral que continuaria a saga foi anunciada, uma pontinha de esperança até que bateu no fundo do peito, mas em época de crise, ir para Londres assisti-la é algo meio fora de cogitação para muita gente. Um sabor agridoce ficou no fundo da garganta, afinal, tão perto, mas tão longe. Não demorou muito para começarem os boatos de que o roteiro da peça seria publicado, a coisa foi tomando outro rumo, o jogo foi começando a virar e ai veio a confirmação: ESSA NOVA TRAMA TAMBÉM CHEGARIA AO RESTANTE DO MUNDO. Encadernado, mas quem se importava? Uma nova era de magia estava para começar e poderíamos entrar novamente em um mundo fantástico, capaz de encantar, inspirar e até mesmo mudar muita gente.

O planeta havia voltado a sorrir com a possibilidade e aguardava ansioso por qualquer informação que fosse sobre a trama. Que obviamente foi mantida em segredo e o pouco que se sabia sobre ela, era que tudo começaria do ponto onde o último livro parou: 19 anos depois.  Por motivos óbvios eu respeitarei a estratégia de marketing escolhida pelos produtores e não vou contar sobre o que ela fala, ok? Mas já garanto, ela é ma-ra-vi-lho-sa e com certeza vai fazer seu coração sorrir, não dá pra descrever a sensação sem parecer um doido, poder ver como Harry e toda galera está, e também conhecer os seus filhos, foi diferente de tudo que já senti lendo um livro; me senti praticamente tio daquelas crianças.

A trama é super dinâmica e gostosa de acompanhar. Acho que imersiva seria a palavra certa para definir. É um misto de suspense, com ficção científica e aqueles filmes sessão da tarde, que estão bem dosados e ajudam muito a manter o interesse, toda hora tem coisa acontecendo e isso é demais. Por se tratar de um roteiro de uma peça de teatro, é tudo bem ágil e não há muita descrição de detalhes ou enrolação, nunca tinha lido nada do tipo antes, confesso que no começo estranhei um pouco, mas depois tudo flui e fica bem delícia. A cada página a história ia ficando mais louca, e legal, e emocionante e nossa senhora mãe de Deus, que eu não tinha coragem de largar. Além da nostalgia, havia a aquela velha sensação de estar diante de algo novo e que você não achava que fosse viver novamente. Eles fizeram um ótimo trabalho amarrando todas as histórias.

Elenco da peça reunido.

Isso tudo sem falar que eles deram um jeito incrível de nos mostrar personagens antigos sem parecer avacalhação. As coisas acontecem de maneira pertinentes e está tudo bem alinhado, sempre tem surpresas ali e juro, quem tem asma já tem que ficar com a bombinha em mãos, as reviravoltas são constantes, e elas não são levinhas. É um verdadeiro tiroteio de informações bombásticas e que aumentam ainda mais a qualidade de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, intensificando muito a aventura e o suspense, e também as relações pessoais entre Harry e seu filho, Albus Severus, que são o ponto chave do roteiro. Apesar do clima fantasia ainda estar ali, esta é uma história um pouco mais adulta do que as outras, onde os conflitos pessoais de cada um, influenciam totalmente nos rumos da coisa toda. A trama foi muito bem construída e o interesse é mantido a todo momento, não dá tempo de sentir tédio e as horas e páginas irão passar voando 🙂

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é uma ótima homenagem e continuação dos capítulos  anteriores. Além de matar a saudade, somos apresentados a uma produção completamente nova e que amplia o mundo criado por J.K Rowling, dando aquele verdadeiro gostinho de quero mais quando chegamos em sua última frase. Ainda estou me recuperando da imersão sentimental que tive com essa história. foi mesmo um verdadeiro presentão e também um retorno delicioso e surpreendente a uma época que achamos ter ficado para trás. O prazer foi todo nosso, voltaremos sempre! 😉

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Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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