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A história por trás de RING – O CHAMADO

Que O Chamado é uma versão americana de um filme japonês chamado Ringu, talvez não seja mistério para ninguém. Agora se eu te dissesse que essa refilmagem americana é a versão Donald Trump de uma adaptação literária japonesa do começo dos anos 90, você acreditaria? POIS É! O Ringu original é na verdade uma versão cinematográfica de uma série de livros do autor Kôji Suzuki e vocês nem imaginam o rolo que se deu a partir daí. Para ficar mais fácil a compreensão, que tal começarmos do começo? VEM COMIGO!

cartaz original de RINGU

Ringu é o primeiro livro da série, escrito pelo autor Kôji Suzuki em 1991. Depois disso vieram mais cinco capítulos para a história de Samara, ops, Sadako, e lá na terra do Pikachu eles fazem bastante sucesso. Fato que originou uma adaptação para os cinemas em 1998, dirigida por Hideo Nakata e que aterrorizou o país. Aclamado por publico e crítica, Ringu se consagrou e ganhou um status de cult pelos outros países, inclusive aqui no Brasil.

É A PARTIR DAQUI QUE A COISA VAI COMPLICAR, ESTÃO PREPARADOS?

Sadako em RINGU

O Japão não é muito diferente dos americanos quando falamos de sequências, ou seja, o sucesso pediu por mais um ataque de Sadako e rapidamente trataram de dar continuidade na história da fofa. O problema é que a produtora de Ringu, a Asmik Ace Entertainment, quis filmar essa parte dois quase que simultaneamente com a primeira, com o objetivo de lançar o mais rápido possível e adaptando o segundo livro da série, Spiral, que nos cinemas ganhou o título Rasen (guardem esse nome) e foi  dirigido por outro diretor, Jouji Iida. O elenco do primeiro filme faz participações e tudo estava bem, afinal, a produtora conseguiu fazer dois filmes com um orçamento baixíssimo e o que viesse era lucro. Ringu foi o sucesso que foi e era basicamente uma certeza de que a população pagaria para ver essa segunda parte.

cartaz de RASEN

NA TRAVE! O filme foi um fracasso e a rejeição de Rasen se deu em partes pelo fato de que a trama anula tudo o que Ringu construiu. Após fazerem uma autópsia em uma das vítimas, a galera acha umas coisas estranhas e criam uma teoria que toda essa maldição da Samara, ops Sadako, é na verdade um vírus que entra no corpo da vítima e eclode depois de sete dias, causando alucinações durante esse tempo. Loucura, né? Agora acrescenta aí uma trama doida sobre clonagem e a coisa fica mais bizarra ainda. Não era de se espantar que o povo não aceitasse bem essa lindeza.

Só que no ano seguinte, sabendo da cagada que fizeram, a produtora de Ringu e Rasen resolveram que a coisa não podia ficar desse jeito. O que eles resolveram fazer? Chamar o diretor Hideo Nakata para fazer a sua própria sequência, sem qualquer relação com Rasen ou muito menos com os livros, dando o singelo título de Ringu 2. Que não só foi aceito pelo povo como a continuação original, mas tornando Rasen – a verdadeira – uma espécie de parente que não é convidado para as festas de família. WTF??????? Mas calma que ainda tem mais.

cartaz de RINGU 2

Ringu 2, apesar de melhor aceito que Rasen, também ficou abaixo das expectativas do público, mesmo amarrando algumas pontas soltas e mostrando um pouco do passado da vilã. Só que o sucesso já estava consolidado lá no oriente, inclusive com uma SÉRIE DE TV (Ringu The Final Chapter)  derivada de Ringu e Ringu 2, assim como mangás, que ampliaram ainda mais o universo de Sadako. Tudo certo. Tudo resolvido. Rasen foi apagado completamente do histórico e visando mais lucros, além da expansão das mídias, a produtora decidiu que faria MAIS UMA SEQUÊNCIA para a trama, intitulada Ringu Zero e contratando o autor dos livros para escrever a bagaça, fazendo um prelúdio que mostrava as origens da maldição.

PREPAREM-SE PARA A REVIRAVOLTA!

O que a Globo não mostrou, era o fato de que um ano antes de Rasen chegar aos cinemas, já existia uma adaptação, bem mais fiel, para o livro de Kôji Suzuki, seu nome era Ring Virus e consistia em uma parceria entre produtoras do Japão e da Coréia. Apesar dos envolvidos dizerem que a obra foi adaptada do livro e não refilmada da obra de Nakata, há diversas semelhanças que levam a crer no contrário. Principalmente no final, já que aquela famosa cena da gata saindo de dentro da TV, não faz parte da imaginação de Koji Suzuki, mas sim do diretor de Ringu que achou que seria (e foi) foda inseri-la. Que coisa não?

cartaz de RING VIRUS

Ou seja, havia um remake desconhecido (será mesmo?) do filme original e é claro que ele acabou sendo lançado para os japoneses na mesma época. Porém, como também já existia um Ringu e sua sequência Rasen estava para estrear, a produção foi lançada como Ringu Virus e não tem nenhuma conexão com as outras versões. Resumindo, em menos de três anos foram lançados o filme original, a sequência ignorada, a sequência oficial, a série de TV, os mangás…. e a refilmagem coreana. Deu um nó na cabeça? Te entendo.

Mas não para por aí. Lembram-se da terceira parte, Ringu Zero, que seria um prelúdio de Ringu 1 e 2? Ela foi lançada em 2000 e devido à recepção não muito calorosa de público e crítica, encerrou a franquia, até segunda ordem, e assim mantém até os dias atuais. Quer dizer…

cartaz de RINGU 0

Sabe aquele meme ‘’parece que o jogo virou, não é mesmo?’’ Ele se encaixa perfeitamente para essa situação. Vocês lembram de Rasen, o filme mais ignorado que bolacha maisena perto de Trakinas, não? Pois é, ele GANHOU UMA CONTINUAÇÃO EM 2012 chamada Sadako 3D, que ignora os acontecimentos das outras sequências e foi um dos maiores lançametos da época no país de origem, ganhando também mais uma sequência, Sadako 3D 2, e até mesmo um crossover com outra franquia famosíssima de terror japonesa, JU-ON (também conhecida como O Grito), lançada em 2016 e que você deve ter escutado falar por aí, Sadako vs Kayako. Fizeram as contas? Três outros filmes foram derivados de Ringu tendo como base a rejeitada Rasen, o que indiretamente, nos dias atuais e com uma nova geração, o deixam bem mais popular do que o seus irmãos. Nada como um dia após o outro. Ah, inclusive, Sadako 3D foi lançado aqui no Brasil com o título A Invocação.

cartazes das continuações de RASEN

Há diversas versões, diferentes e iguais ao mesmo tempo para uma mesma obra originada de uma série de livros. Todos esses lançamentos fizeram uma verdadeira confusão na saga e na cabeça das pessoas. Tem refilmagem, tem continuação oficial, continuação rejeitada, continuação da continuação original, sequência da que foi ignorada, série, mangá, livro e nossa senhora… gente, daria uma novelona mexicana, não é mesmo? Rasen seria Paulina e Ringu 2 seria Paola Bracho, sem dúvidas.

O resto vocês já sabem. Os americanos fizeram sua própria versão de Ringu em 2002 e O Chamado fora um sucesso no mundo todo, dando razões para uma continuação em 2004, que foi dirigida pelo mesmo diretor dos japoneses, Hideo Nakata, mas que não teve a mesma recepção da primeira parte… assim como a sua mais nova sequência, O Chamado 3, que acabou de estrear nos cinemas do mundo todo e foi massacrada pela crítica. Será que o futuro aguarda mais um capítulo para o embate entre Ringu 2 e Rasen? Vamos aguardar.

BÔNUS!

Eu guardei uma coisinha para o final. No ano de 1995 já havia sido feita a primeira adaptação do livro de Koji. Ring: Kanzenban, que dizem ser a versão mais fiel da obra literária, mas que é completamente esquecida nos dias de hoje devido ao baixíssimo orçamento e acaba não sendo considerada nesse rolo todo. Sente o drama!

cena de RING: KANZENBAN

ps: para quem se interessou pelos livros de Kôji Suzuki, eles nunca foram lançados no Brasil, mas se alguém quiser se aventurar pela importação ou até mesmo para meios menos ortodoxos, os títulos são: Ring, Spiral (que deu origem a Rasen), Loop, The Birthday, S e Tide, mais novo capítulo lançado em 2013.

Espero que tenham gostado 😉

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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