Inferno (Crítica)

Eu gosto dos livros do Dan Brown, admiro muito a maneira como ele mistura informações reais com ficção e mais do que tudo, acho incrível sua habilidade de montar tramas que exigem bastante não só da nossa imaginação, mas também dos conhecimentos gerais, nos levando a pesquisar e descobrir mais sobre os locais e obras que cita ao longo de suas narrativas. Acho que esse estilo de linguagem deixa tudo bem dinâmico e maximiza a experiência de ler um livro, tornando suas histórias bem interessantes e divertidas de acompanhar.

Suas tramas são extremamente visuais e parecem já estar prontas para uma adaptação cinematográfica, para quem procura leituras envolventes e intensas, seus livros são um tiro certeiro calibre 12 no meio do peito. O sucesso de vendas está ai para não me deixar mentir, não é mesmo? Assim como o de suas adaptações, O Código Da Vinci e Anjos e Demônios, que mesmo não sendo muito bem vistos pela crítica especializada, contam com produções impecáveis e conquistaram o grande público ao redor do mundo.

Tom Hanks;Felicity Jones

Falando sobre essa nova enrascada, o espertinho do Robert Langdon acorda todo arrebentado em um hospital e também sem memória alguma do que aconteceu nas últimas horas. É ai que ele descobre estar carregando um objeto valioso que, claro, esconde informações muito misteriosas, no qual pessoas de caráter duvidoso estão loucas para colocar as mãos. Junto da Dra. Sienna Brooks, cabe a Robert desvendar as pistas deste artefato e assim salvar não só a sua pele, mas também de toda a raça humana. VAMO LÁ, ROBERT! O MUNDO PRECISA DE VOCÊ!

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O problema de Inferno, assim como na literatura, é uma espécie de falta de originalidade na história. Se você pegar o esqueleto dos livros ou até mesmo dos filmes baseados em obras do autor, verá que todos eles seguem exatamente a mesma fórmula até mesmo em suas reviravoltas, ou seja, mesmo que haja grandes surpresas em sua trama e momentos carregados de adrenalina, não tem como evitar aquela sensação de que essa nova aventura não passa de mais do mesmo. Claro, é a marca registrada do autor, mas ainda assim, essa sensação eu tive com a história em ambas as mídias.

A principal reviravolta da trama, a praga criada pelo vilão, que diferencia essa aventura das outras, os produtores fizeram questão de deixar escancarada no trailer para vender a história e isso tirou muito do *BOOM* que ela poderia ter para todos aqueles que não leram o livro. Um mero detalhe que faz total diferença quando falamos de ser impactado, concordam?

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Em contrapartida, Inferno, como um filme, é muito bem executado em sua proposta de entreter, entregando uma trama ágil e insana no qual coisas acontecem o tempo todo e não há muito espaço para o tédio. Perseguições, pistas a serem decifradas, clima de mistério, tudo isso dá um temperinho bem gostoso na coisa toda, fazendo valer o ingresso para quem está à procura de um bom entretenimento e deseja imergir em uma história lotada de informações, suspense, aventura e mais do que tudo: DIVERSÃO. Isso sem falar em Tom Hanks, que dispensa qualquer tipo de comentário e na direção de Ron Howard, que sabe muito bem como conduzir as viradas do roteiro e a dinâmica que é necessária para a nossa imersão e mais do que tudo, compreensão.

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Para mim, Inferno foi uma boa adaptação para o que ao meu ver seja o livro mais fraco (longe de ser ruim, ok?) do autor; ainda acho que poderiam ter ousado mais em alguns pontos e até mesmo mantido o final original e chocante do livro, mas mesmo assim creio que seja um bom passatempo e entrega perfeitamente tudo aquilo que foi proposto, entretenimento puro e tensão do início ao fim. Você gostou dos filmes anteriores? Então levanta a bunda do sofá agora mesmo e corre pro cinema, Robert Langdon está de volta em mais uma aventura delicinha e eletrizante no qual eu já consigo até imaginar o narrador da Globo fazendo a chamada para a Tela Quente 🙂

4 estrelas

PS: Sempre fico com aquela depressão pós Robert Langdon e fico me sentindo um lixo por não ter um raciocínio rápido igual ao dele 🙁

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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