Internet – O Filme (Crítica)

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Eu me lembro da vergonha alheia que senti ao ver o trailer de Internet – O Filme, uma ‘’produção cinematográfica’’ estrelada por Youtubers famosos, roteirizada por Rafinha Bastos e cujo maior intenção era, aparentemente, lucrar dinheiro à custa dos seus ‘’atores’’. Com um humor que de acordo com a prévia,  misturava Pânico na TV com Zorra Total, foi inevitável não sentir medo e um certo asco do que vi, tudo parecia de uma qualidade extremamente duvidosa e obviamente, eu estava A P A V O R A D O com o que ia assistir. Bom, tive que ver para crer, me submeti a isso e já que era para ser feito, tentei limpar meu coração e ver tudo com as melhores das intenções. Confesso que me surpreendi… um pouco.

A história é simples, está rolando uma convenção que reunirá Youtubers e celebridades da internet, o que é claro, diversas personalidades dessas mídias estão presentes nele. Tem o famosão egocêntrico, tem os não tão famosos, tem a louca do Instagram, a sincerona e claro… aquele que ninguém gosta. Cada um está lá com seu motivo pessoal e a partir daí nós acompanhamos as confusões que cada um deles vai se meter para alcançar os seus objetivos durante essa semana muito louca.

Para você que, assim como eu, não acompanha o trabalho dessa galera e também criou uma antipatia gigante pelo filme por causa do trailer, eu vou ser bem sincero ao dizer as próximas palavras: ESQUEÇA, ou pelo menos tente. O material de divulgação realmente tem um tom muito diferente do filme e foi uma grata surpresa ver que ele não é apenas uma ‘’zoeira sem limites’’, mas sim uma sátira a todos os estereótipos, memes e coisas que vemos na internet todos os dias. Nesse ponto, Internet – O Filme consegue ser surpreendentemente bem sucedido, pois ele pega as coisas que pensamos ao, sei lá, ver um vídeo de gato, e faz piada em torno disso. São sacadas cômicas que mostram o lado tosco do mundo virtual e expõe aquele pensamento humano, seja ele para o bem ou para o mal, que temos diante as situações que pulam aos nossos olhos ao longo do dia; confesso que isso gera uma identificação, afinal, quem nunca teve o seguinte pensamento: ‘’esses youtubers são tudo um bando de desocupados’’

Brioco, o melhor ator do filme <3

Ao abordar essas questões, Internet – O Filme ganha sua identidade e mostra para um público que não é muito inteirado nesse universo, como ele funciona. De uma maneira sucinta, nós mais velhinhos somos apresentados à rivalidade com a galera de games, com as meninas da maquiagem e todos esses bastidores desconhecidos. Claro que para quem não acompanha talvez ele soe uma coisa boba, mas vamos ignorar esse lado, afinal, esse é um filme que tem um público alvo estabelecido e tenho certeza que eles vão amar, afinal, todo mundo gosta de ver as coisas que é familiarizado ganhando vida, não é verdade? Se para mim foi um orgasmo visual ver Stallone, Schwarzernegger e companhia reunidos em um filme de ação louca, imagina para essa galerinha, a satisfação que não é ver um monte de gente que eles supostamente admiram, reunidas? Ainda mais de uma maneira que desconstrói suas características com o proposito do entretenimento, coisa que eles mais amam fazer. Não dá para julgar Internet – O Filme por querer ser uma espécie presente para o seu público.

Porém, se não dá para critica-lo por não se levar a sério e ser realmente bem sucedido no quesito sátira, há um ponto que acho necessário ser discutido. Apesar de ter piadas MUITO eficientes ali (tipo aquela do cachorro pedindo ajuda com a comida no pote de ração), me incomodou bastante a quantidade de tiradas preconceituosas ao longo do filme. Tudo bem, não precisamos ser politicamente corretos ou muito menos santos, mas temos que lembrar que boa parte do público que Internet – O Filme é destinado, ainda está se desenvolvendo intelectualmente. Não acho que seja legal o tipo de piada que fizeram com ‘’gordos’’ e até mesmo a quantidade de ‘’aoo viadinho’’, ‘’aooo bichinha’’, ‘’aooo baitola’’, que vieram em um sentido extremamente pejorativo. Poxa, eles realmente conseguiram fazer algo legal, ter uma zoeira saudável em torno do mundo virtual… esse tipo de humor grosseiro e desrespeitoso que veio em alguns momentos era realmente necessário? Rafinha Bastos, quem escreveu o roteiro, se zoa na trama o tempo inteiro por ser um cuzão e se posso dizer por mim, nesse ponto ele realmente foi.

De certa forma, não podemos exigir que Internet – O Filme seja um primor técnico, com atuações maravilhosas ou até mesmo um roteiro digno de fazer Quentin Tarantino chorar de emoção, afinal essa nunca foi a sua proposta, porém, achei legal a maneira que a história foi contada, tipo aqueles filmes americanos onde várias tramas acontecem durante uma mesma data ou local. Os Youtubers sem empenharam em dar o seu melhor e isso é nítido, porém, infelizmente, mesmo tendo seus momentos legais, não consigo ignorar o tanto de preconceito que ali esteve presente e isso diminui pra caramba uma produção que a meu ver tinha tudo para ser um desastre completo, mas me surpreendeu por ser algo no mínimo assistível.

Internet – O Filme, assim como o recente Cinquenta Tons Mais Escuros, é um filme feito para um público específico, ao se comprometer a vê-lo acho que seria legal ter em mente que a intenção é se comunicar diretamente com quem eles querem… e eu não acho que isso inclui você que é fã de Donnie Darko ou Interestelar. Tudo poderia ser feito de uma maneira mais saudável em alguns pontos, potencial eles demonstraram ter, porém, também podia ter sido pior (muito pior!) e diante as expectativas que criei, acredito que o resultado foi, na mais inesperada das hipóteses, um passatempo divertidinho para uma madrugada sem muita coisa para fazer ou algo melhor para assistir 😉

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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