IT – A Coisa (Stephen King)

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Se teve algo que Stephen King alcançou, além do sucesso de vendas e crítica, com o livro IT – A Coisa, foi entrar para a história da cultura pop. Claro que isso foi auxiliado pelo telefilme estrelado por Tim Curry nos anos 90, mas ainda assim o nome Pennywise é um dos mais temidos quando falamos de vilões e toda a sua fome de criancinhas tirou a noite de sono de muita gente, até de quem não sabe do que a trama realmente fala. Seja na literatura ou nas telas, a história da cidadezinha Derry e seu habitante oculto, entra para o seleto hall das mais assustadoras e instigantes da literatura de terror.

Para quem não conhece, o livro foi lançado no ano de 1986 e conta a história de Beverly, Stan, Mike, Ben, Bill, Richie e Eddie, sete adolescentes que se denominam o ”Clube dos Otários” e vivem em uma pequena cidade chamada Derry, no qual coisas sinistras insistem em acontecer constantemente. Após várias crianças da região começaram a morrer tragicamente, o grupo resolve investigar o que está rolando e descobrem uma criatura macabra que assume a forma de um palhaço e não está para brincadeira. Após darem um fim nessa ameaça, eles fazem um pacto de que se um dia essa Coisa retornar, todos eles voltarão à Derry para um novo confronto. Eis que quase 30 anos depois eles recebem um chamado que os obrigam a por em prática tudo o que prometeram e dessa vez as consequências podem ser mortais.

Apesar das aproximadamente 1200 páginas do livro assustarem um pouco, IT é uma verdadeira obra prima. Mesmo sendo longa e parecer que o autor vai enrolar pra caramba, isso não acontece justamente pela trama ter as narrativas do presente e passado intercaladas, ou seja, apesar de sabermos o passado, nós lemos ele em paralelo com o presente e isso é MUITO LEGAL. É uma escrita maravilhosa que instiga, encanta e mais do que tudo: mete medo.

Isso sem falar nos personagens que são extremamente bem desenvolvidos e por ter uma história tão extensa, nos deixa totalmente apegados a eles. Quando o livro acabou era como se eu tivesse deixado para trás alguns amigos, sabe? Afinal, passei por diversas coisas com eles, foram descobertas, aventuras, sustos e praticamente ajudei em todo o processo de destruição da Coisa. Stephen King matou a pau nesse ponto e sério, o fato da história ser tão longa é o que nos faz querer ainda mais dela. É tudo muito bem montado e quando a trama vai chegando no final vai batendo aquela ansiedade, principalmente por não termos certeza se todos eles irão sair ilesos.

Claro que todo esse apego aos protagonistas não seria possível caso o vilão não fosse desenhado à altura. A Coisa, ou Pennywise para os íntimos, é realmente maquiavélica e a cada aparição dele, em suas diversas formas, é um verdadeiro show de horrores. Stephen King explorou muito bem o lance do medo de cada personagem e aproveitou tudo o que pode para envolver o leitor nessa atmosfera sinistra. O ”Clube dos Otários” passa por muitas coisas e isso intensifica demais a sede que eles tem de destruir o palhacinho, além de aumentar nossa curiosidade em relação as origens da Coisa e o que ela é na verdade. O resultado pode desapontar alguns já que exige um pouco de mente aberta, mas não creio que estrague toda a experiência, afinal, a jornada foi, com o perdão da expressão, foda pra caralho!

Não é a toa que IT – A Coisa é um clássico da literatura de terror e vale muito a pena ser lido por todos que apreciam uma boa história. As páginas passam voando e tudo é muito lindo justamente por termos personagens maravilhosamente bem escritos e situações que remetem a pesadelos que já tivemos alguma vez na vida. Eu garanto que você nunca vai esquecer esse livro, ele é uma verdadeira viagem imersiva e toda vez que penso nele lembro como é gostoso ficar perdido em uma trama que não tem pressa para acabar e me apegar a um mundo que, mesmo sendo um tanto quanto assustador, saiu das páginas e ganhou vida na minha cabeça e também no meu coração 🙂

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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