Jackie (Crítica)

22 de novembro de 1963. As televisões transmitem ao vivo o assassinato do presidente dos Estados Unidos, atingido por dois tiros enquanto seguia em comitiva pelo estado de Dallas. Nos vídeos gravados vemos claramente o momento do atentado, mas vemos ainda mais do que isso. Vemos a primeira dama mais famosa da história, popular, ganhadora de um Emmy, em um momento de desespero, terror e choque ao ver seu marido morrendo ao seu lado. O evento citado é que dá toda a base para o incrível filme Jackie.

Quando ele começou acho que eu não estava preparado para tudo o que ia ver. Temos Natalie Portman em uma atuação deslumbrante e ao mesmo tempo mórbida como Jackie Kennedy neste filme biográfico. Acompanhamos a primeira dama em uma entrevista para um jornalista onde ela contará cada detalhe do acontecido, mas também tudo o que o mundo não viu e acompanhou do acontecimento. O que acontece no carro após os tiros? O translado do corpo, os preparativos para o funeral. A história nos entrega tudo com detalhes frios, que nos atinge com muitas frases da personagem principal e as cenas extremamente bem construídas.

As cenas sempre são gravadas bem próximas ao rosto dos personagens fazendo com que possamos enxergar cada expressão, sentir o que o personagem está sentindo. Poucas vezes vemos a cena em uma tomada aberta, mas sempre que isso acontece tem um propósito, como na primeira vez que vemos Jackie de corpo inteiro após o atentado e podemos observar seu icônico vestido rosa completamente ensanguentado e com pedaços do marido.

Uma das diversas boas ideias do filme, é que a descrição do dia do assassinato é deixado para ser contado mais para frente do filme, nos deixando com a expectativa de saber o que realmente aconteceu naquele carro, pela visão dela. E posso dizer que vale muito a pena esperar por esse momento, ponto alto do filme que deu para perceber que o publico no cinema prende a respiração para ver o que acontece e após a cena onde fica um silencio, se ouve pela sala suspiros e sussurros.

Vemos uma mulher forte, porém desestabilizada, abalada por tragédias e perdas pessoais, não só do marido como filhos ao longo de sua história, mas conhecida por muitos e idolatrada. Em uma sequência vemos que o vestido usado por ela no dia do assassinato se tornou tendência, ditou moda, os manequins das vitrines das lojas eram desenhados com base nela, roupas e cabelos retratavam com fidelidade a viúva mais conhecida do mundo.

Jackie é um filme que planejo rever muitas vezes. Natalie Portman está sensacional, seu trabalho de fala, os trejeitos, sua dor pessoal explorados de forma única. Filme muito recomendado. Recomendo também que quem for assistir, assista antes na internet o vídeo do dia do assassinato para poder explorar melhor os acontecimentos do filme.

Leandro Assumpção

Tem 27 anos, formado em marketing e mora em São Paulo. Viciado em livros e Starbucks. Tem poemas e contos publicados em antologias com outros autores.