“Jogos Mortais: Jigsaw” é mais do mesmo, mas consegue nos surpreender.

 

Ame ou odeie, Jogos Mortais é a maior franquia de terror da atualidade, tanto que entrou para o Guiness Book com quase 1 bilhão de dólares arrecadados em bilheterias. Conhecidos por suas reviravoltas e violência extrema, os três primeiros filmes formam uma trilogia sensacional, com momentos marcantes e viradas absurdas, tudo isso amarrado em uma trama mirabolante e muito divertida de acompanhar.

O mesmo não pode se dizer dos filmes seguintes, que apesar de nos entreter, vamos combinar, forçam a barra nas revelações e são tão idênticos um ao outro, que fica difícil saber qual é qual. Isso sem falar que né… transformam as armadilhas relativamente simples dos primeiros filmes, em uma verdadeira convenção de engenharia.

Mesmo com altos e baixos, não dá para negar o valor que Jogos Mortais tem na cultura pop e no cinema atual; ele deu as caras para um novo subgênero (o torture porn) e mesmo que a qualidade tenha decaído em cada filme, a verdade precisa ser dita: o banho de sangue e caos que eles proporcionam, é um verdadeiro presente para os fãs de terror e suspense. Ou seja, a ideia de um novo capítulo, por mais desconfiada que fosse, não seria tããão errada assim, afinal de contas, um sanguinho rolando solto na telona do cinema não faz mal para ninguém.

Ignorando as partes 4, 5 6, e 7, neste oitavo filme, que está mais para uma recauchutada do que para uma sequência de fato, nós acompanhamos cinco pessoas que, tchan tchan tchan tchan, acordam em uma sala estranha, com um balde de ferro na cabeça e acorrentados pelo pescoço; para saírem vivos dessa situação, eles precisarão passar por diversos cenários e confessar os seus maiores pecados. Conforme as mortes vão acontecendo, os corpos são expostos para o mundo e uma dúvida começa a cercar a população: John Kramer, também conhecido como Jigsaw, realmente está morto, ou algum imitador assumiu o seu legado? #momentos

Sem nenhuma menção aos personagens e situações das sequências anteriores, Jogos Mortais: Jigsaw não é um dos melhores filmes dos últimos tempos ou até mesmo muito memorável, mas se lembrarmos de tudo o que a franquia se tornou com o passar dos anos, ao meu ver este capítulo se sai bem acima da média justamente por fugir de características que foram saturadas a cada nova aventura, tipo o excesso de personagens, a fotografia suja e a montagem frenética e desnecessária em alguns momentos. Apesar de serem a marca registrada da série, se o intuito era realmente reapresentar John Kramer e seus jogos doentios para o mundo, eles conseguiram, já que aqui é tudo mais limpo visualmente e também na narrativa, sem deixar é claro, de ser extremamente violento.

Tive a impressão que essas ‘’podadas’’ fizeram a trama fluir melhor e, apesar dos obstáculos, tipo as atuações péssimas de muitos atores, ele chega ao seu gran finale de uma forma bastante natural. São reviravoltas que brincam com a nossa cabeça e isso foi muito bacana, é aquele EITA PORRA! seguido de AH TA! que nos faz compreender o filme como um todo, e mesmo que muitos furos (convenientes até demais) sejam escancarados bem na nossa fuça, Jogos Mortais: Jigsaw consegue entregar tudo aquilo que esperamos ao falar do assunto e ainda apontar para rumos bem mais empolgantes e simpáticos do que os que vimos a partir do quarto capítulo. Vamos combinar, não dava para aguentar aquele Detetive Hoffman, ôôô falta de carisma, Jeová!

Não acho que Jogos Mortais: Jigsaw seja um filmão da porra e nem contém o mesmo clima dos três primeiros, mas se ele tem realmente a intenção de se assumir como um Jogos Mortais 4, ao menos para mim colou. Ter um ritmo rápido e armadilhas bem bacanas, contam como pontos bastante positivos, isso sem falar que estava achando tudo muito previsível, mas o final surpreendente (e inteligente!) me pegou de jeito, mudando totalmente o que achei desse novo jogo e lembrando de todas as vezes que fui enganado por Jigsaw. Você já sabe o que esperar desse filme, ou seja, desligue o cérebro e divirta-se, não tenho dúvidas que vai achar tudo aquilo que procura aqui, é só estar preparado para um novo jogo 😀

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.