John Wick: Um Novo Dia Para Matar (Crítica)

Sabe aquele tipo de filme que não há possibilidade de você dar aquelas belas pescadas no cinema, por não haver espaço para perder a ação em momento algum? É exatamente o que ocorre com John Wick: Um Novo Dia Para Matar, um filme que não para em nenhum instante e quando você respira por trinta segundos, já vem outra sequência de ação alucinada. Confesso, Keanu Reeves não é uma dos meus atores favoritos, sempre a mesma cara, postura, etc… Mas cai como uma luva para o personagem.

O filmes inicia do ponto onde seu antecessor terminar, com John seguindo seu caminho na busca pelo seu, como posso dizer, carro de estimação. Após uma excelente cena de abertura de causar inveja a muitos blockbusters (realmente muito boa, que já justifica sua classificação maiores 18 anos), pois não utiliza de efeitos especiais, mais sim da pancadaria puramente dita, tirando a paz de um grande mafioso e seus capangas. Logo após aos “problemas” que causou, John decide definitivamente aposentar-se, levar uma vida no mínimo tranquilo e segui-la de alguma forma. Mas por conta do contrato e regras que deve cumprir devido sua profissão de assassino profissional, retorna, mesmo sem desejar, a vida que não quer mais levar.

Diferente do primeiro, onde o espirito de vingança era claramente visto, o novo John Wick não é simplesmente baseado nesse feito, mas sim conseguir sua liberdade e levar sua vida de alguma maneira, enterrando seu passado e viver depressivamente (sim, porque você não vê um sorriso no rosto de Keanu o filme inteiro – mas já explico por que tal feito só torna o personagem mais real e verdadeiro naquele mundo).

O filme é uma grande mistura de outros grandes filmes, como Kingsman com seus alfaiates e sommelier de armas, a lutas das produções gangstêrs orientais, e muitas mortes pelas mãos de um homem que ninguém consegue matar. Com boa parte do elenco retornando para a continuação e boas adições, o filme não deixa nos ombros de Keanu o peso de carregar o filme nas costas. Ian McShane, John Leguizamo, Common, Ruby Rose (queridinha dos filmes de ação) e a sempre benvinda parceria com Laurence Fishburne, são bem desenvolvidas durante o filme, umas em menor quantidade, mas agradáveis e significativas no mesmo modo.

Voltando a falar do protagonista, ouvi uma pessoa dizer: “Ele não pode ser comparado com determinado personagem, só se ele matar determinado número de pessoas”. Então prepare-se, ele mata muito. Como dito acima, Keanu está ótimo no papel (é difícil dizer isso, mas é verdade), não há um momento que enxergamos resquício de arrependimento, medo, ou simplesmente fraqueza no personagem. Reeves está em ótima forma com seus 52 anos, claro, em alguns momentos percebemos alguns sintomas de cansaço, mas é o que acaba deixando o personagem mais real. Suas expressões (ou falta delas), é o que distância dos atuais filmes de ação, onde uma piadinha é solta a cada momento, tiro ou soco, aqui não existe tão feito, tudo tem seu momento certo e as próprias piadas não são tão claras como são propriamente ditas, entendem o que quero dizer?

Alguns pontos que incomodam um pouco é como as pessoas ao redor não se afligem com o fato de estarem se matando umas do lado das outras como na cena do metrô (que por sinal, é uma ótima cena) ou tiros dados no meio da rua e todos agem como se fosse algo extremamente normal, mas nada que reflita tanto no desenvolvimento do filme, afinal parece que naquele mundo só existem assassinos.

Seria exagero dizer que o filme poderia tornar-se um clássico do gênero, um cult, ou algo do tipo? Pode ser, mas tenho certeza que é diversão garantida, podendo ser vista muitas vezes. Aguardando a terceira parte, que pelo final desse, promete ser ainda maior, o que espero ser uma franquia que não enfraqueça como outras que tanto vemos.

Thiago Martins

29 anos, formado em Administração, atualmente estudante de Arquitetura e Urbanismo e só Deus sabe qual será a terceira. Apaixonado por filmes, séries, livros, HQs e tudo mais que me leve para outro mundo. Sofro de Coulrofobia (medo de palhaço) e seres rastejantes. Espero um dia ver todos os livros que gosto, retratados em bons filmes. Como um bom nerd, sonho em conhecer o Stan Lee.