“Jumanji: Bem-Vindo à Selva” me fez morder a língua.

 

Jumanji é um dos meus filmes favoritos da vida, não só por ele ser legal pra car****, mas também por todas as lembranças boas que tenho da minha infância. Achava uma coisa demoníaca e tenebrosa o menino sendo sugado para dentro do jogo, mas ao mesmo tempo vibrava ao ver a casa se tornando uma selva e a cidade sendo invadida por elefantes, rinocerontes e macacos ladrões.

Toda sua ideia é criativa e emocionante demais. Não é a toa que ele é lembrado até hoje e marcou tanto os adultos quanto as crianças, é muito difícil ver alguém falar desse filme sem lembrar de alguma cena foda ou então com aquele velho e nostálgico sorriso no rosto.

Durante um tempão a galera esperou por uma continuação de Jumanji e por mais que os planos nunca tenham sido de fato cancelados, foi necessário aguardar 20 longos anos para o grande anúncio: “JUMANJI 2 FOI CONFIRMADO!”. Não demorou muito e veio a cara na poeira, afinal não era bem assim… o tabuleiro seria trocado por um video game e tudo se passaria na floresta que habitava (incrivelmente) a nossa imaginação. Foi o suficiente para que eu e muitos outros torcessem o nariz para a ideia. Esse filme poderia realmente ser bom, deixando de lado uma ideia tão maravilhosa?

Pois bem,  Jumanji: Bem Vindo à Selva conta a história de quatro adolescentes que vão parar na temida detenção. É aí que eles acham um video game antigo e que tem um cartucho escrito “JUMANJI”. É claro que resolvem jogar uma partida, mas depois de escolherem seus personagens e apertarem START, eles são magicamente transportados para dentro desse jogo. Assumindo a forma de seus avatares, eles precisam se unir para vencer as fases dessa aventura muito louca e assim retornarem para casa sem virar comida de jacaré, ou serem pisoteados por elefantes, rinocerontes e hipopótamos.

Uma das primeiras coisas que essa continuação (sim!) questiona é: “alguém ainda joga jogos de tabuleiro?”. Com crianças (e adultos) viciadas cada vez mais em tecnologias, até que essa atualização faz muito sentido e é nessa pegada que Jumanji: Bem Vindo à Selva segue o tempo todo, como uma aventura que sabe o público que quer atingir e o tipo de memória que quer formar.

Lotado de aventura e comédia, posso dizer que mordi a língua muito feio e este é com certeza um dos filmes mais divertidos de 2017. Ele não quer ser igual ao seu irmão mais velho e toda essa honestidade que a produção tem em se assumir como uma versão 2.0, é extremamente válida quando nos deixamos levar por tudo o que vemos. Eu não tenho dúvidas que a garotada de hoje em dia vai embarcar da mesma maneira que a gente pirou no passado, afinal, é um vídeo game ganhando vida, de uma forma muito descontraída, moderna e farofa demais

Os personagens tem que passar por fases, fugir de bichos, esquivar de objetos, encarar missões e claro, se tratando de um jogo, também poupar suas três vidas. Tudo isso é construído de uma maneira bem bacana e com um quarteto protagonista que tem uma química F-O-D-I-D-A. Dwayne Johnson (também conhecido como Rei da Farofa Cinematográfica), Karen Gillan, Kevin Hart e Jack Black funcionam muito bem juntos, principalmente este último que rouba demais a cena interpretando uma garota fútil no corpo de um “homem obeso de meia idade”. O carisma deles é um dos fatores que fazem o filme fluir deliciosamente e nos colocar dentro das empolgantes (e inúmeras) cenas de aventura. Nick Jonas ainda tem muito arroz e feijão para comer, mas também não fez feio.

Chega a dar medo o quanto Dwayne Johnson aparenta ser um cara gente boníssima na vida real e que se diverte para caramba nos filmes que faz, sua “atuação” é tão “ele mesmo” que é meio que impossível detestar esse homem. O mesmo pode se dizer de Karen Gillan (Guardiões da Galáxia), que interpretou perfeitamente uma menina tímida e insegura presa no corpo de um mulherão. O filme explora bastante a diferença entre os personagens e dá umas lições bem clichezonas, mas ainda sim relevantes, para a molecada. Jumanji: Bem Vindo à Selva tem um elenco que nitidamente está adorando estar ali e um clima nostálgico que consegue nos conquistar justamente por ser muito honesto e claro com suas intenções: divertir e se apresentar para um novo público.

Não tem nem como comparar Jumanji: Bem Vindo à Selva com o primeiro, seria muito injusto. Apesar das inúmeras referências, são filmes diferentes e feitos em épocas distintas que funcionam bem para qualquer um dos públicos. Este será o filme que a Sessão da Tarde mostrará para as crianças do futuro e elas com certeza vão pirar, afinal de contas, ele tem tudo o que a gente precisa para desligarmos do mundo lá fora e nos encantar de alguma forma. Seja pela diversão, seja pela imaginação, está aí algo que tinha tudo para ser um desastre completo, mas se mostrou acima de qualquer coisa como uma bela e inofensiva surpresa.  

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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