“Kingsman: O Círculo Dourado” sofre por ser a sequência de um filme muito bom.

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Kingsman: O Serviço Secreto foi uma verdadeira rasteira que a vida me deu. Estava esperando um filme de adolescente agente secreto, desses que o Telecine Fun passa de sábado às 13:00, mas não, encontrei uma trama violenta, debochada e com muitos, muitos absurdos surreais e insanos que fizeram meu coração sorrir. Toda aquela pegada me encantou demais, assim como muita gente ao redor do mundo, transformando Kingsman em um verdadeiro Tazo de Metal dentro do pacote. Uma sequência foi inevitável, afinal, se o público gostou, porque não repetir a dose, né?

Dessa vez Eggsy já é um agente experiente. De namorico com a princesa que salva no primeiro filme, o guri vê tudo desmoronar (literalmente!) quando a sede dos Kingsman é destruída, matando todo mundo. Movido pela sede de justiça, ele e Merlin viajam para os EUA com o intuito de pedir reforços aos Statesman, sua versão americana. É aí que as pessoas ao redor do mundo começam a ter uma alergia que deixa a pele azul e tudo isso parece ser obra da mesma pessoa, enfiando os Kingsman e os Statesman em uma corrida contra o tempo para impedir que mais uma chacina mundial ocorra.

Bom, vamos lá, sem enrolação. Kingman: O Círculo Dourado não é um filme ruim, mas é que o primeiro é tão bom que esse acaba ficando um pouquinho abaixo do esperado. Ele cumpre a sua missão de entreter, tem cenas maravilhosas de ação, bastante humor e absurdos, mas sei lá, parece que nada daquilo é espontâneo, parece que os produtores tentaram replicar toda a autenticidade do primeiro capítulo, dando um ar de pouca inspiração e apostando na zona de conforto para que o sucesso seja alcançado. Coisa que, pelo menos para mim, não funcionou. Kingsman: O Serviço Secreto é tão querido pelo público justamente por sair da casinha, esse era o verdadeiro rumo a ser seguido aqui, porém, fizeram completamente o oposto.

Muitas cenas de O Círculo Dourado são recriações de tudo o que deu certo em O Serviço Secreto e isso, lá pelo quarto ou quinto remake, passa um ar de que os produtores quiseram forçar uma repetição de dose. Tudo bem que elas são muito bem feitas e divertidas, mas foi inevitável não esperar mais surpresas ou uma grande virada, ótimas sensações que sentimos com o seu antecessor e que merecíamos sentir novamente. Se levarmos em consideração sua filmografia, o diretor Matthew Vaughn já provou que criatividade não é algo que está faltando naquela cabecinha.

Mas claro, não é porque isso aconteceu, que o filme seja desmerecedor da nossa atenção. A trama ainda é insana e rende momentos muito bons quando falamos de ação; tem uma cena bem legal envolvendo um teleférico e um sabre de luz em versão chicote, assim como todo o clímax, lotado de adrenalina. Há também a presença de um elenco de apoio bem notório, Halle Berry, Jeff Bridges e Channing Tatum foram adições bem interessantes para os rumos que a franquia (?) levará daqui para frente. Isso sem falar em Julianne Moore que, fazendo uma vilã maluca com um plano mirabolante, acende todos os holofotes para si. Esse ar moderninho continua bem gostoso, e eles exploram bastante o lado lúdico dos filmes do tipo, não poupando a galera no sentido frenético.

Kingsman: O Círculo Dourado é legal, “apenas” carrega um fardo muito grande chamado “sequência de um filme muito foda”. Enquanto o primeiro é um hot dog prensado, esse aqui é um comunzão mesmo, mata sua fome, é gostoso, mas o coração bate mais forte é pelo outro. Vale a pena para esquecer da vida um pouquinho, mesmo que nada soe tão original, você vai encontrar muitas cenas loucas, boas piadas, um elenco entrosado e algo que julgo obrigatório: diversão. Um filme de agente secreto lotado de bugigangas e que não se leva a sério, sempre é uma boa pedida para uma noite de sofá e pizza, concordam? Não surpreende, mas também não ofende, esse já é um aceitável começo 😉

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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