La La Land – Cantando Estações (Crítica)

O gênero musical infelizmente anda muito em baixa no cinema atualmente. Está cada vez mais raro filmes com esse estilo entrarem em cartaz e apesar de muita gente não gostar, não podemos negar que ele foi um dos responsáveis por moldar o cinema e serviu como influência para muito atores, roteiristas e diretores ao longo desses anos. O que aparentemente é o caso de Damien Chazelle (Whiplash – Em Busca da Perfeição), que dirige La La Land com uma perfeição tremenda, nos remetendo a uma nostalgia impressionante e mostrando que os musicais ainda tem sim o poder de encantar as pessoas; não é a toa que a história estrelada por Emma Stone (A Mentira) e Ryan Gosling (Dois Caras Legais) está conquistando todo mundo e abocanhando muitos prêmios por aí, não é mesmo?

Sabe aqueles filmes que enquanto você assiste parece que o mundo parou lá fora? Que te deixa tão leve e no final de tudo fica aquele sorrisinho no rosto? La La Land tem essa essência. A trama é envolvente, os personagens são carismáticos, tem comédia, tem romance e mais do que tudo, tem músicas lindíssimas com cenas super bem feitas, de fazer encher os olhos e os ouvidos. Logo no começo já somos apresentados a toda essa ideia, com a música Another Day Of Sun, um número musical lotado de gente feliz dançando em um engarrafamento, com uma canção que faz os pezinhos mexerem involuntariamente e que mostra o empenho de toda a produção para emular a atmosfera dos musicais clássicos.

Esse empenho é nítido no filme inteiro e é muito legal ver essa pegada antiga misturada com a atualidade. Muitas cenas ali parecem que foram feitas antigamente e a tecnologia e criatividade dos dias de hoje ajudaram a dar um gás na coisa toda, afinal, não é por que os tempos mudaram que a sensação do cinema clássico não possa ser revivida, né? O diretor consegue captar isso muito bem e esse é o maior ponto de La La Land, ele é uma verdadeira homenagem aos musicais e serve também como uma lembrança do quanto esse gênero é inspirador, mas também sem perder a sua identidade e demonstrando que pode (e provavelmente irá) marcar uma nova geração. A cena de Ryan Gosling e Emma Stone dançando com a paisagem de Los Angeles no fundo é uma afirmação disso, é impossível não sentir uma nostalgia ali, principalmente se você for fã do gênero.

Gostei muito de La La Land também pelo fato dos personagens serem super realistas, são pessoas com sonhos, vontades e mostrando como a vida às vezes pode ser difícil. A atuação dos protagonistas foi muito legal e a química entre os dois é linda, Sebastian e Mia formam um casal super gracinha. Isso serviu até para tirar a antipatia que tenho da Emma Stone, que foi com quem mais me identifiquei na trama. Parece que o jogo virou, não é mesmo?

La La Land – Cantando Estações é um filme lindo, fofo, gostoso de assistir e como gosto de dizer, faz uma sessão de descarrego dentro do espectador. A história leve, misturada com as músicas e com a fotografia bonita deixam tudo uma delícia e gente, sério, deem uma chance a essa história, o mundo anda tão esquisito ultimamente e dá um certo alívio saber que produções como essa estão por aí esperando para serem não só assistidas, mas sentidas. La La Land nos faz lembrar do cinema como arte e como se isso não fosse o suficiente, ele vai muito além ao demonstrar ser um entretenimento que ficará marcado, não só na cabeça, mas também nos nossos pés, afinal… it’s another day of sun …..

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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