“Lino” tinha tudo para ser um marco do cinema nacional.

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O cinema nacional está em uma ótima fase e nos últimos anos tivemos diversas produções incríveis que demonstraram a nossa evolução. Lino é uma animação da StartAnima e veio chamando a atenção devido ao seu visual elaborado e sua história bacaninha, sobre um rapaz que é transformado em sua fantasia de gato. Por se tratar de um gênero maravilhoso para tramas lúdicas e carregadas de magia e encanto, foi difícil não se animar com essa pegada diferentona e cheia de personalidade em uma produção brasileira. Afinal de contas, o que poderia dar errado, não é mesmo?

Na história conhecemos Lino, um cara azarado e que está insatisfeito com todas as merdas que sempre aconteceram em sua vida. Ele trabalha (insatisfeito) como animador de festas infantis com sua fantasia de gato (que ele odeia) e, depois que muita desgraça acontece, o cara resolve contar com a ajuda de um feiticeiro para que tudo mude. O problema é que a magia deu errado e Lino acabou se transformando na sua própria fantasia, que por sinal, foi usada por seu vizinho criminoso, chamando a atenção da polícial local e dificultando ainda mais a sua jornada para a forma humana.

A impressão que eu tive no final de Lino, foi que tudo não passou de um trote e tudo o que vimos foi uma versão descartada do filme. Não era possível que toda aquela ideia maravilhosa que nos foi apresentada, teve um resultado tão… decepcionante. Para vocês me entenderem melhor, vamos fazer uma lista rápida com todos os ingredientes necessários para um desenho irritante?

  1. Personagens sem carisma.
  2. Diálogos ruins.
  3. Piadas sobre peido.
  4. História pouco envolvente.
  5. Situações exageradas.

Acho que só esses itens já seriam o suficiente para que um fracasso estivesse por vir, concordam? Agora e se eu te contasse que tudo isso é colocado em doses cavalares ao longo de 95 minutos? Só de piadas sobre peido teve umas 7 ali no meio, pessoal. Esse tipo de humor é tão anos 90, nem o Jim Carey usa mais isso e os roteiristas insistem em nos fazer testemunhá-los várias e várias vezes.

Como se um personagem falando coisas imbecis não bastasse, aqui nós temos TRÊS, um mágico e dois policiais que tem um tempo enorme de tela e que não tem utilidade narrativa alguma no quesito graça; as risadas dão lugar a agonia e lá pela metade eu já estava aflito em ter que aguentar uma cacetada de piadas ruins, tratadas como se fossem a coisa mais original e hilária do mundo. Isso sem falar nas frases de efeito, que encerravam algumas cenas de uma forma que doía o fígado com a tamanha falta de timing cômico ou criatividade.

Tudo bem que estamos falando de um filme infantil, mas convenhamos, esse gênero conquistou bastante espaço na vida dos grandinhos e deixaram de ter um público específico a algum tempo. Como se no quesito humor ele já não tivesse falhado desgraçadamente, o roteiro do filme é uma bagunça e, apesar de ter uns traços bem maduros ao tratar sobre assaltos e crimes, Lino é extremamente bobo em seu lado inocente, parece que as coisas não funcionam juntas e isso só piora conforme a história se desenrola. Os produtores mandaram muito mal ao tentar agradar ambos os públicos e o que vemos é um montão de situações toscas, com personagens irritantes e algo que chega a ser um afronte: sem alma.

Parece que os roteiristas pegaram tudo o que tinha de pior nas animações mundo a fora e inseriram aqui no meio. Eu sou fissurado pelo clima leve, divertido e cheio de lições que os desenhos costumam ter, mas aqui não dá para aguentar e gostaria muito de estar exagerando ao dizer que fiquei desesperado enquanto assistia. É muito difícil acompanhar uma história mal executada, sem foco e tudo fica pior ainda ao lembrarmos de tudo o que foi prometido. As coisas não envolvem e mesmo que seja engraçadinho e bonitinho no começo, as repetições começam a quebrar completamente o clima e dão lugar para a chatice. Talvez isso seja o que melhor define Lino, ele é um filme chato de assistir e que surpreende negativamente pela falta de alma e sentimentos em sua trama, já que nada ali parece funcionar de uma forma encantadora.

Lino tem um visual maravilhoso e demonstra que as animações de qualidade visual não se limitam a Dreamworks ou Pixar, se o roteiro não fosse tão idiota e focasse em um outro tipo de história, com personagens melhores desenhados e situações mais empolgantes, o resultado seria certamente outro. Ele é realmente um filme que tinha tudo para ser um marco do cinema nacional, mas foi certamente prejudicado por uma história confusa e personagens desinteressantes que não nos despertam grandes emoções. No final eu fiquei aliviado por ter acabado e a sensação de não ter me divertido em um filme cujo propósito era esse, me decepcionou demais. É muito difícil falar todas essas coisas, mas algumas verdades precisam ser ditas e Lino beirou o insuportável, foi duro aguentar até o final e queria demais que tudo tivesse sido diferente, afinal, potencial tinha de monte, bastava um pouquinho mais de inspiração.

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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