“Logan Lucky – Roubo em Família” tem ótimos personagens e ideias bizarras.

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Logan Lucky é o novo filme de Steven Soderbergh, que já havia se aventurado nos “Heist Movies (filmes sobre assalto) com a trilogia Onze Homens e um Segredo, e está produzindo a versão feminina da trilogia, Ocean’s Eight (ainda sem título nacional). Então, esse gênero já lhe é familiar, o que o permite continuar com o formato, mas experimentar outro estilo para contar sua história.

Existem dois elementos essenciais em  “Heist Movies”, personagens divertidos com uma função pro assalto e um plano absurdo, o filme consegue entregar ambos. Se antes contávamos com o charme de Brad PittGeorge Clooney e Matt Damon invadindo Cassinos, agora temos Jimmy Logan (Channing Tatum) um ex jogador aposentado por sua perna machucada e seu irmão Clyde Logan (Adam Driver), um Barman que perdeu uma mão lutando no Vietnã, tentando a sorte com um roubo absurdo durante uma corrida da NASCAR.

Aliás, achei curioso assistir esse filme logo em seguida de Kingsman: O Círculo Dourado, nos dois filmes Channing Tatum interpreta um “Caipira Americano” com sotaque carregado e fã de John Denver, em ambos a música “Take Me Home, Country Roads” recebe uma atenção especial.

Provavelmente coincidência.

A princípio, o filme não se leva a sério, apresentando personagens extremamente caricaturais, como por exemplo Joe Bang (Daniel Craig, que antes era somente o DIDI BOND, agora assume a persona trapalhão por completo com seus cabelos brancos) cuja participação no assalto é explodir o cofre com uma bomba feita de guloseimas, sal artificial e… (bom, não lembro a receita, mas nesse caso não importa), seus irmãos caipiras especializados em tecnologia (“- Eu sigo vários twitters”), deu pra ter uma ideia… O plano que, obviamente, tem tudo pra dar errado, mas que pelo lógica absurda da história nos faz acreditar que pode funcionar.

Todos os atores parecem se divertir com os personagens e o humor garante a diversão tranquilamente, até metade do filme. Como eu disse, a princípio, o filme não se leva a sério…mas, no terceiro ato, Soderbergh acha que precisa tornar o filme mais complexo, e aí o filme se perde, bonito.

Quando tudo se resolve e começamos a nos preparar para encerrarmos aquela história, Soderbergh decide começar uma nova trama, totalmente desnecessária, introduzindo na história, o FBI investigando o crime, a partir desse momento o tom do filme muda, fica sério se tornando um filme policial. Todo aquele absurdo que já tínhamos aceitado começa a ser explicado como se o diretor quisesse mostrar a genialidade do plano que inventou, e torna os personagens (que antes eu tomava como grandes sortudos num assalto sem sentido) em gênios do crime.

De qualquer forma, eu recomendo Logan Lucky, pelos ótimos personagens, ideias bizarras e risadas garantidas. Mas quando os homens de preto chegarem, pode tirar um cochilo, ninguém vai reparar…

Marcel Melfi
Colaborador | Também do autor.

Designer pra ganhar dinheiro e artista pra ser feliz. Apaixonado por filmes, quadrinhos e filmes de quadrinhos. Autor da Trilogia Odisseia Naftalina.