“mãe!” é um verdadeiro banho de agonia e desespero.

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Falar sobre mãe! não é uma tarefa fácil, afinal, qualquer detalhezinho pode soar como um mega spoiler e claro, estraga consideravelmente a experiência. Digo isso pois Darren Aronofsky é um diretor que gosta de explodir a mente da galera, seus filmes têm um grau notável de complexidade, metáforas e simbolismos, Réquiem Para Um Sonho e Cisne Negro estão aí para não me deixar mentir. Neste caso, a questão é que nessa sua mais nova produção, essa característica foi elevada a níveis que beiram a loucura e que COM A MAIS ABSOLUTA CERTEZA dividirão todo mundo.

Bom, tendo isso em mente, vamos falar sobre mãe!. Na história conhecemos um casal que se mudou para uma casa no meio do nada. Ele é um escritor e Ela é uma dona de casa cheia de habilidades artísticas, que restaurou o local do zero, colocando todo o seu amor e dedicação para transformar seu cantinho num verdadeiro paraíso. Eis que em uma bela noite eles recebem a visita de um estranho, que mesmo contra o gosto da moça, é convidado para passar a noite ali. O que seria incômodo por si só, toma outros rumos quando no dia seguinte, sua esposa também chega no local, dando início a uma série de acontecimentos que levarão sua anfitriã à beira de um ataque.

Aparentando ser um suspense comum, mãe! é um daqueles filmes que você soltará um alto e sonoro “QUE PORRA É ESSA!”  quando Written and Directed by Darren Aronofsky enfiar a pá de cal no que acabamos de assistir. Digo isso tanto para o bem, quanto para o mal. Ele começa simplezinho, basiquinho, bonitinho, mas a coisa vai crescendo e demonstrando ser uma bela de uma viagem, na qual consegue captar não só a emoção dos personagens, mas também as nossas sensações.

Agonia e desespero são dois adjetivos que definem demais essa história. Uma porque ele pega uma situação comum da galera (visitas indesejadas) e outra pois ele a transforma em uma trama macabra, que toma rumos intensos e capazes de nos chocar. Tudo isso aliado à atuações incríveis de Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Michelle Pfeiffer e Ed Harris, que com naturalidade, criaram personagens extremamente críveis, deixando tudo mais instigante e nos prendendo em um atmosfera de suspense bem difícil de largar. Afinal, talento é talento, e ótimos atores fazem a diferença em uma história onde você precisa entender o papel de cada uma daquelas pessoas.

“cheguei, to preparada pra atacar!”

Talvez seja aí que mãe! dividirá as pessoas, Aronofsky extrapolou na dose em seu processo criativo. Isso é muito bom quando falamos sobre imergir em um filme, a intensidade que o cara colocou no desenvolvimento do roteiro é uma coisa absurda. As coisas vão mudando, toda hora tem alguma coisa acontecendo e sério, eu senti tanta coisa enquanto o assistia, que quando chegou no final estava até cansado, física e mentalmente. Não falarei sobre o que o filme realmente se trata, mas nem todo mundo aceitará a verdade dessa história, dando motivo para que a marca registrada do diretor dê as caras e gere muita discussão entre a galera.

Não que este seja um filme difícil de entender, mas estamos diante de uma obra que a cada vez que você assistir, você achará algo novo, que frite o cérebro na associação entre as referências e todas coisas que estão subjetivas em suas cenas e diálogos. mãe! é um ótimo exemplo para ame ou odeie, não tem um meio termo, você tem que abrir o peito e aceitar a bola, entrar na brisa assustadora do Aronofsky e focar em algo muito rico em informações, que te fará um belíssimo polichinelo de neurônios.

O ranger da madeira, o jeito como ‘’passeamos’’ pela casa, e até mesmo a maneira como ele foca muito em ângulos fechados e específicos dos personagens, dão um clima bastante desconfortável e misterioso na trama toda, há uma claustrofobia incômoda ao longo dos 117 minutos e cada vez isso vai ficando mais pesado, é como se também estivéssemos invadindo a vida daquela moça. O problema é que a gente não pode fazer nada por ela, sobrando a pipoca entalada na garganta e o testemunho de coisas extremamente desagradáveis de se ver, tanto nas suas atitudes, quanto em seus acontecimentos. Os minutos finais de mãe! não sairão da minha cabeça tão cedo e o choque pelo excesso de surpresas, assim como a sensação de não saber ao certo o que pensar, são com certeza uma afirmação do poder que o cinema tem sobre as pessoas, principalmente feito por mãos e rostos admiravelmente talentosos.

Pode parecer, mas mãe! definitivamente não é um filme para todos, você tem que obrigatoriamente entender o que está assistindo, fechar os olhos e deixar a mente bem aberta. Fazendo isso, se deixando levar pelas ideias mirabolantes do diretor, você encontrará uma história instigante, que te desperta diversas sensações e com potencial de sobra para permanecer por dias na sua memória. Tem polêmica sim, tem muita controvérsia e eu adoro quando tudo isso atinge bem no meio da testa, fazendo com que a gente esvazie nossa cabeça e a preencha com novas ideias. Bateu uma onda fortíssima no Aronofsky e pra mim ela colou, espero que para você também 😉

 

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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