“Me Chame Pelo Seu Nome” é muito mais do que um romance.

 

Adaptado do livro homônimo de Andre Aciman, Me Chame Pelo Seu Nome tem ganhado muito a atenção desde que foi exibido no Festival de Sundance. Indicado a uma cacetada de prêmios desde então, e com muitas chances no Oscar 2018, este é um daqueles filmes que servem como uma verdadeira prova do que é o cinema como arte. De uma sutileza tremenda, estamos diante de uma produção que vem para marcar o cinema atual e conquistar não só aqueles que não dispensam um bom filme de amor, mas também os apreciadores de uma história bem contada.

Em Me Chame Pelo Seu Nome acompanhamos Elio, um garoto que está entediado passando o verão no interior da Itália junto de sua família. Eis que seu pai resolve hospedar Oliver, um charmosíssimo estudante, que com sua pele bronzeada e sorriso branco conquista todo mundo ao seu redor e desperta no garoto algo que ele nunca havia sentido, dando início a uma relação que mudará a vida dos dois para sempre.

O diretor Luca Guadagnino conta a história de uma maneira muito simples e essa é a graça do filme. Os personagens são pessoas normais, com sentimentos comuns e isso nos aproxima deles, imprimindo uma realidade enorme no que estamos vendo. Em diversos momentos me peguei lembrando de como eu era e como agia na presença do ‘’crush’’, foi nesse ponto que Me Chame Pelo Seu Nome me fisgou pois há muitas situações ali que remetem ao que já passamos ou até ao que poderíamos passar, nada parece forçado ou irreal, simplesmente acompanhamos duas pessoas que estão se conhecendo e vivendo uma história de amor.

Devagarzinho a coisa vai acontecendo e quando dei por mim, estava completamente envolvido na trama e torcendo que nem um louco para que eles finalmente tomassem uma atitude. Se seu desenvolvimento tem um verdadeiro toque de mestre e tudo isso é embalado por uma fotografia de fazer o queixo cair, uma trilha sonora maravilhosa e atuações INCRÍVEIS dos protagonistas, Armie Hammer e Timothée Chalamet, que tem uma química insana e conseguem transmitir toda a intensidade que a história vai ganhando.

Essa coisa louca que vai crescendo entre Elio e Oliver é um dos motores do filme e todo esse jogo que vai rolando até que de fato eles se entreguem, consegue nos envolver demais. Me Chame Pelo Seu Nome é tão bem conduzido, que a gente consegue sentir tanto sua leveza, quanto seu calor que aparece em momentos pontuais da trama.

O verão ensolarado da Itália, esse lance de férias, um amor teoricamente proibido, os olhares, os sorrisos, o dito pelo não dito… tudo tem um toque extremamente sensual e isso eleva muito a qualidade do filme como um todo. Reparem na cena onde entendemos o porque do título do filme, o clima de Me Chame Pelo Seu Nome é tão sutil, mas ao mesmo tempo tão potente, que me deixou hipnotizado. Os minutos finais vão ficar marcados na minha cabeça para sempre, não tenho dúvidas.

Outra coisa maravilhosa na produção, é que por mais que a história mostre o romance entre dois homens, Me Chame Pelo Seu Nome nunca cai do estigma de um “romance gay” (termo que por sinal eu detesto). O que presenciamos são duas pessoas, de idades diferentes, que estão vivendo uma paixão avassaladora e por mais que em alguns momentos essa questão de sexualidade seja levantada, não é esse o ponto que a trama quer chegar. Estamos assistindo um filme sobre a descoberta do amor e tudo o que ele pode causar, sem rótulos e sem bandeiras, do jeito que tudo deveria ser.

Não há certo, errado ou alguma grande polêmica, a história fala sobre o amor em suas mais diversas formas. Estamos vendo um romance clássico, que trata os sentimentos humanos de uma forma realista e muito bonita; principalmente no final… e que final, diga-se de passagem. Tudo em Me Chame Pelo Seu Nome é de uma sensibilidade incrível e talvez seja por isso que as pessoas estão se identificando tanto com ele ao redor do mundo.

Me Chame Pelo Seu Nome tem uma beleza única e se não fosse só pela simplicidade de sua história, ainda há o pano de fundo com o verão Italiano e suas cidadezinhas, que dão um tchan ainda maior no romance de Elio e Oliver. Guiado por diálogos maravilhosos e uma narrativa que nos abraça, este é um filme em que devemos apreciar cada um de seus detalhes e sentir cada um de seus momentos, afinal, uma história onde os sentimentos dos seus personagens chegam a ser palpáveis, merece ser apreciada e enaltecida. No final de tudo, Me Chame Pelo Seu Nome é muito mais do que um romance, mas também uma verdadeira aula sobre o ser humano e seus sentimentos.

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.